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Construtores confirmam "erros crassos" na construção antissísmica

Há empresas de construção que estão a reabilitar edifícios antigos sem ter em conta as normas relativas ao perigo sísmico. A zona da Baixa de Lisboa está no mapa.

Há um perigo real de estarem a ser reabilitados edifícios, onde não estão a ser seguir as regras para prevenir o risco sísmico. Nomeadamente na baixa de Lisboa, zona sensível em termos de risco sísmico. Esse tipo de intervenções, por vezes "são apenas baseadas em notificações e sem qualquer tipo de controlo", diz Ricardo Pedrosa Gomes.

O presidente da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços (AECOPS) lembra que a legislação foi alterada há uns anos o que leva a que as empresas de construção tenham apenas que fazer uma notificação cada vez que avançam para uma obra. Ricardo Pedro Gomes sublinha que sempre acharam que era um mau caminho e alerta para o facto de essa metodologia ter sido utilizada "para reabilitar edifícios inteiros.

"Muitas empresas de construção estão na margem da clandestinidade, sem quadros técnicos", garante. "Sempre alertámos que se podem estar a fazer imensas asneiras, nomeadamente no debilitar das estruturas sísmicas em edifícios centenários" que anteriormente já as tinham."Esse é um risco real", alerta Ricardo Gomes. Segundo o responsável da AECOPS há um outro problema que diz respeito aos locais onde se registaram surtos de construção na década de 60 e 70 do século passado." Houve uma série de procedimentos de construção que deixam muito a desejar no que diz respeito à resistência sísmica".

A AECOPS, considera, no entanto que não se pode afirmar que os edifícios públicos de grande dimensão sofram deste problema, já que foram construídos através das regras da contratação pública que, apesar de tudo, minimizaram a possibilidade de terem ocorrido falhas graves.

A Associação garante que tem deixado o alerta por diversas vezes e salienta que tudo tem piorado ​​​​​​​porque as câmaras Municipais não fazem a fiscalização devida." Receio que se estejam a produzir grandes asneiras, não só quando não se está a aproveitar para reforçar a estrutura sísmica de edifícios mais antigos, mas ao mesmo tempo estão a fazer-se erros crassos nas reabilitações". "É um problema que pode levar a situações graves caso ocorra um sismo de grandes dimensões",garante Ricardo Pedrosa Gomes.

"As autarquias demitiram-se completamente de intervirem neste campo,", não fiscalizando as empresas de construção, nomeadamente percebendo se têm técnicos qualificados e se estão a agir de acordo com as normas.

O Presidente da AECOPS considera que " as regras que existem têm de ser aplicadas para premiar as empresas que faz.

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