descongelamento de carreiras

"Farsa negocial." Governo usou o mesmo documento para negociar com oficiais de justiça e professores

Governo apresentou-se nas negociações com o mesmo documento que utilizou para negociar com os professores.

O Governo está a propor aos oficiais de Justiça uma recuperação do tempo de serviço inferior àquela que deu aos professores. Esta tarde, o executivo reuniu com os representantes da classe e, embora o documento que esteve na mesa de negociações seja o mesmo que foi apresentado aos docentes, o tempo a recuperar não o é.

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Por isso mesmo, o presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) entende que a reunião desta sexta-feira foi uma "farsa negocial".

"Desde o início se percebeu claramente que não passava de uma farsa negocial. O documento que nos foi apresentado é o que foi apresentado aos professores. Não houve sequer o cuidado de fazer referência à carreira dos oficiais de justiça, do documento continua a constar a carreira docente. O Governo trata os seus trabalhadores de uma forma totalmente desrespeitosa. Não pode apresentar, em termos de negociação, aos oficiais de Justiça, um documento que nem sequer teve o cuidado de adaptar a esta carreira. Isto parece-nos da mais elementar justiça: que se reconheça que os oficiais de Justiça têm direito a negociar e a tratar da sua carreira de forma autónoma", reclama Carlos Almeida.

Nesta situação, e perante o mesmo documento, os oficiais de Justiça esperavam que a proposta de recuperação do tempo da carreira fosse a mesma que foi apresentada aos professores. Mas, como explica o presidente do SOJ, não foi isso que aconteceu.

"É o mesmo diploma, só que com uma agravante. Para os oficiais de Justiça, o período que o Governo procura contabilizar são dois anos, um mês e quatro dias. Ainda é menos tempo", lamenta.

Para já, está marcada uma reunião a realizar na próxima sexta-feira. Carlos Almeida defende que o Governo deve ser claro acerca da intenção de negociar.

"Não sei se há condições para que, de facto, os sindicatos continuem a participar nestas farsas. Chega um momento em que nós temos de clarificar posições. Das duas, uma: ou o Governo assume de forma clara que não quer negociar - e tem toda a legitimidade para não negociar, o povo português depois irá pronunciar-se relativamente a isso. Agora, o Governo não pode é esperar que os sindicatos participem nesta farsa para se dizer que se anda a negociar, quando não se anda a negociar coisa nenhuma", avisou o presidente do sindicato, pedindo ao executivo que clarifique a sua posição.

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