incêndios florestais

500 mil hectares queimados este ano. 250 mil só em outubro

Números da Comissão Europeia revelam que últimos fogos queimaram mais de 200 mil hectares, o mesmo que quatro incêndios de Pedrógão. Fogos de outubro queimaram tanto como de janeiro a setembro.

Os fogos de outubro, sobretudo os que começaram no último fim de semana, queimaram mais de 200 mil hectares, o equivalente a quatro incêndios de Pedrógão Grande, quase o tamanho do distrito de Lisboa ou mais que o distrito do Porto.

A estimativa é do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais. As informações foram confirmadas à TSF por fonte oficial desta entidade da Comissão Europeia, reforçando os dados que estão na sua página da internet.

A esta altura o Sistema aponta para 506 mil hectares queimados em Portugal desde o início do ano o que, a confirmar-se com as análises no terreno, será o maior número de sempre.

Os números baseiam-se num satélite que passa duas vezes ao dia por cima do território português e são provisórios, sendo que serão reavaliados mais tarde no solo pelas equipas do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

Para se ter uma ideia do desvio habitual destes dados europeus, no final de setembro a Comissão Europeia contava 240 mil hectares de área ardida e os números finais do ICNF apontaram para 215 mil.

Várias fontes da área contactadas pela TSF sublinham que os dois métodos não apresentam, por norma, grandes divergências.

Nuvens esconderam dimensão da área queimada

Fonte deste Sistema Europeu que recebe e avalia as imagens de satélite acrescenta que a passagem por cima de Portugal, terça-feira às 14h30, revelou um cenário devastador até aí escondido pelas nuvens.

A Proteção Civil admite que os dados podem estar um pouco empolados pelo método usado (imagens de satélite e não visitas ao terreno), mas não fica surpreendida se os incêndios dos últimos dias tenham queimado 200 mil hectares, até porque normalmente os dois métodos dão resultados próximos.

Recorde-se que segundo os dados do ICNF os piores anos de sempre em área ardida em Portugal registaram-se em 2003 (425.839 hectares) e 2005 (339.089), sendo já certo que 2017 será pelo menos o segundo pior ano de sempre.

Os números estão longe de fechados, mas parece certo que 2017 acabará com pelo menos 400 mil hectares de área ardida.

O mapa do que ardeu nos últimos dias

Os dados do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais mostram a enorme mancha ardida na última semana. Só em duas zonas ardeu, em cada uma, o equivalente ao mesmo que no grande fogo que atingiu Pedrógão Grande e concelhos vizinhos a 17 de junho.

O que ardeu em Portugal nos últimos dias.EFFIS

Na zona de Santa Comba Dão, Tondela, Mortágua, Penacova, Vila Nova de Poiares e Tábua a mancha ardida já ronda os 57 mil hectares.

Outra enorme mancha queimada, ainda maior, atinge Oliveira do Hospital e concelhos vizinhos: 58 mil hectares.

No terceiro lugar desta lista, mas que em qualquer altura já seria um grande incêndio, na Pampilhosa da Serra arderam 32 mil hectares.
Seguem-se as chamas em Mira (20 mil hectares), Vieira de Leiria e Marinha Grande (15 mil), mas também incêndios mais pequenos (mas ainda assim grandes...) em Oliveira de Frades (12 mil), Gouveia (7.500), Castelo de Paiva (5 mil), Trancoso (4.600) ou Monção (3.700).

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