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Já lá vão seis meses sem ver água nas nascentes

Desde junho que três aldeias do concelho de Odemira, no distrito de Beja, estão a ser abastecidas por autotanques.

Em Relíquias, Luzianes-Gare e Nave Redonda moram cerca de 500 pessoas, que já estão habituadas a que a água falte no verão. O problema é que, por esta altura, em anos anteriores, as nascentes já deitavam água, que era depois armazenada nos depósitos que servem as aldeias.

A TSF esteve em Nave Redonda. No café e nas ruas da aldeia encontrou junto da população as possíveis razões para a falta de água, mas também as soluções.

Maria Tomé Alexandre discute com José António Guerreiro, no café da aldeia, a razão pela qual Nave Redonda é abastecida por autotanques desde junho.

Uma noite de chuva foi muito pouco para fazer ressuscitar as nascentes de água a que estavam habituados na meninice.

E no café da aldeia de Nave Redonda, no concelho de Odemira, continua a discussão da falta de água, há quem à falta da chuva associe também as plantações de eucaliptos, cada vez mais presentes. "O maior problema é não chover, mas se não houvesse tanto eucalipto tínhamos aqui mais água. Os eucaliptos cortam muito as linhas de água. Conheço aí lugares onde não há eucaliptos e continuam a ter por lá alguma água", diz Manuel Bolinhas.

Deixamos para trás a discussão que se gerou no café, para encontrar a subir a rua principal de Nave Redonda, Sílvina Maria José.

Garante-nos que a ribeira, no verão, sempre secou, mas no outono e no inverno a água era "avonda", o mesmo é dizer que era muita. Hoje, está tudo seco e Silvina aponta uma razão para isso. "Os eucaliptos tomaram conta disto aqui no Alentejo. Tinha 35 hectares de eucaliptos, num terreno onde tinha dois tanques de água. Agora com os eucaliptos secaram".

Os tanques eram um encanto, diz Silvina, mas estão secos.

Em Nave Redonda a população está já habituada à agitação dos autotanques que transportam a água, a cada dois dias, para o depósito da aldeia.

E a olhar para as serras onde antes brotava água, sentada num muro, está Idalina Inácia: "vem um camião, e às vezes dois, pôr água nos depósitos ali em cima. Isto tem estado mau. Temos estado com muita falta de água, mas ninguém tem culpa, são coisas do tempo".

Coisas de um tempo cada vez mais seco

De volta ao café da aldeia de Nave Redonda, é lá que a população discute aquela que pode ser a solução para futuros anos de seca. "Vieram descarregar ao depósito, mas faz de conta que puseram água num cesto. Ao fim de duas horas não havia nenhuma. As barragens é que seguram a água, e devia haver muitas mais".

A cerca de 10 quilómetros das aldeias de Nave Redonda e de Luzianes-Gare existe a barragem de Santa Clara. O município de Odemira conta ter no próximo ano o abastecimento público reforçado com uma conduta de ligação a esta barragem.

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