Manif - #queroescolher: taxistas saem à rua, Uber contra-ataca nas redes sociais

Taxistas vão amanhã escrever mais uma página na sua história contra a Uber. A greve de sexta-feira é considerada a grande ofensiva do sector, mas a Uber não ficou quieta.

Lisboa, Porto e Faro vão assistir a mais uma manifestação do sector dos táxis, em protesto contra a atuação "ilegal" da Uber. Na capital, a Federação Portuguesa de Táxis aponta para uma adesão de cerca de 4.000 taxistas, que se juntarão para uma marcha lenta, entre a rotunda do Campus da Justiça e o Parlamento. No Porto, a manifestação vai começar no Castelo do Queijo e irá terminar na Câmara Municipal. Em Faro, a reunião está marcada para a zona do Estádio do Algarve, passará pelo aeroporto, e terminará também na Câmara Municipal.

Carlos Ramos, o presidente da Federação Portuguesa de Táxis, em entrevista ao Diário de Notícias, não teve dúvidas em afirmar que esta "será a maior manifestação de táxis em Portugal", que contará também com o apoio da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL).

A Uber, por outro lado, e apostando nas plataformas onde é naturalmente mais forte, começou também a desenvolver nas redes sociais uma campanha a favor da diversidade de opções. #queroescolher é o mote da empresa que, através de pequenos vídeos, questionou várias pessoas sobre a possibilidade de determinados serviços serem proibidos ou limitados.

Limitação dos canais de televisão e proibição do email ou de mais pastelarias são alguns dos exemplos. Pelo meio, uma curiosidade: "Antes, era proibido ler determinados livros e a taxa de analfabetismo era de 40%. Hoje, é de 6%".

A campanha da Uber tem passado algo despercebida, e não está isenta de críticas. São muitas as pessoas que têm acusado a empresa de "chico espertismo" e "retórica barata", em relação às comparações feitas. Mas como em tudo, também há pessoas que defendem a permanência da Uber no mercado. É, sem dúvida, um tema que deixa muito poucas pessoas indiferentes.

Voltando aos taxistas, os responsáveis pela manifestação, que começou com a distribuição de 10 mil panfletos em que se apelava à solidariedade da população, insistem que o protesto "não é contra a Uber" mas sim com a forma "ilegal" como deixam a empresa atuar.

É mais uma batalha de uma guerra que já vai tendo o seu tempo, depois de uma primeira manifestação em setembro do ano passado, em Lisboa e no Porto, onde só na capital se reuniram cerca de três mil táxis, e cujo dia ficou marcado por agressões aos colegas de profissão que não aderiram à greve e aos seus automóveis. Mais recentemente, em fevereiro, e sem nada planeado, cerca de 600 taxistas pararam o aeroporto de Lisboa, exigindo ser recebidos pelo Governo.

No Governo, e logo no mês seguinte, em março, o Ministério do Ambiente, que tutela a pasta dos transportes, apresentou um pacote de dez medidas para modernizar o sector, um investimento avaliado em 17 milhões de euros, algo que foi rejeitado pelos taxistas, que viram neste gesto uma chantagem para que a Uber fosse aceite. Já esta semana, o Ministério do Ambiente anunciou a criação de um grupo de trabalho para avaliar a necessidade de um possível ajuste da lei para enquadrar empresas como a Uber.

Nos tribunais, o processo judicial contra a Uber ainda se arrasta. Há um ano, a ANTRAL conseguiu interpor uma providência cautelar contra a Uber, com o intuito de parar a atuação da empresa em Portugal. A providência foi aceite pelo tribunal, mas a decisão não foi respeitada pela Uber, que alega que a disposição foi interposta à entidade errada.

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