Metade do arquivo da PIDE nunca foi consultado. "É um mundo por descobrir"

Há milhares de histórias (e vidas) que ainda se escondem no enorme arquivo da polícia política.

A revolução que acabou com a ditadura em Portugal foi há 45 anos. Os arquivos da PIDE/DGS, a temida polícia política, estão abertos ao público há 25 anos, mas são tão grandes que cerca de metade dos processos aí guardados nunca foram consultados.

Paulo Tremoceiro, chefe de divisão no Arquivo Nacional Torre do Tombo, guia-nos no meio de documentos, que fazem parte da História, nos arquivos do Estado Novo que ocupam todo um piso. "Um mundo que em grande parte ainda está por descobrir", 'escondido' entre milhões de folhas e milhares de processos ou fichas dos que foram vigiados pela PIDE/DGS em quase meio século de história do século XX.

Para saber se uma determinada pessoa foi vigiada pela polícia política e o que esta registou ou disse basta fazer um pedido ao Arquivo Nacional Torre do Tombo, mas Paulo Tremoceiro não sabe se por desconhecimento ou por vontade de esquecer o passado grande parte dos documentos continuam por consultar.

Há pedidos, sim, todos os dias são consultados novos processos, mas "da minha experiência diária", diz o arquivista, que trabalha há três décadas com estes documentos, "aquilo que posso concluir é que metade da documentação existente nos nossos depósitos ainda está por consultar" apesar de já ter sido numerada pelos técnicos da Torre do Tombo.

Paulo Tremoceiro está convencido que estão aqui "milhões de vidas de pessoas que desconhecem ou apenas subentendem que terão sido vigiadas pela PIDE/DGS, nunca tendo consultado os seus processos no Arquivo Nacional".

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