Incêndios

"Não temos pernas, não temos braços". As pessoas que nem Marcelo consegue animar

Marcelo esteve em Oliveira do Hospital e, depois de visitar algumas empresas afetadas pelo incêndio, passou pelos bombeiros. Cumprimentou um a um e agradeceu-lhes em nome do país.

Em Oliveira do Hospital, pouco antes de falar ao país, Marcelo Rebelo de Sousa visitou algumas das localidades do concelho que foram afetadas pelos incêndios e foi ao quartel dos Bombeiros Voluntários agradecer aos soldados da paz.

Antes, num percurso de cerca de hora e meia, o Presidente da República visitou familiares de vítimas e ainda algumas empresas. Perante os estragos, nem mesmo as palavras de Marcelo chegaram para reconfortar todos. Rogério Brito, dono de uma fábrica de revenda de frutas, explica que tudo o que tinha ardeu e contabiliza perdas para cima de 2 milhões de euros.

"Isto é meu e do meu irmão, era dos meus pais. Não temos nada por onde se pegue, não temos pernas, não temos braços. Temos 11 pessoas connosco, que é isso que me faz. Esses 11 colaboradores têm filhos. Isto é tudo, é tudo. Não tenho seguro do edifício. O recheio tenho, mas tenho os carros lá dentro. Oito carros arderam. Camiões, carros de distribuição. Se tivesse sido durante a semana, estavam fora."

Perante o desespero do empresário, Marcelo ainda o tentou animar. "Vai ter que arrancar. É novo. Quantos anos tem? 35? 40?", perguntou. "48", respondeu Rogério Brito. "Oh, 48 tive eu há vinte e tal anos", desvalorizou Marcelo. "Estou partido do trabalho. É dia e noite, 20 horas por dia. Se calhar 48 representam 80". Perante o desespero, Marcelo terminou apenas com um "olhe, força".

Já no quartel dos bombeiros, Marcelo fez questão de cumprimentar um a um e agradeceu a todos. "É um agradecimento simbólico pelos esforços destes dias, mas é por uma dedicação de uma vida inteira, a vossa escolha é uma escolha de vida e de serviço. Agradeço-vos como Presidente da República de Portugal em nome de todos os portugueses".

Os bombeiros agradeceram a presença de Marcelo num momento difícil. "É sempre uma entidade oficial, neste caso a máxima, a reconhecer o nosso trabalho que é um pouco difícil nestas horas".

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