O Cantinho do Abade no Tibete português

No vale do rio Vez, os socalcos construídos à mão nas alturas moldaram a paisagem daquele rincão do Alto Minho, conhecido, por tais razões, pelo pequeno Tibete português. Aldeia rural premiada, Sistelo tem um reconfortante Cantinho do Abade.

É conhecido pelo «pequeno Tibete português» e fica no Alto Minho, cerca de 20 km a norte de Arcos de Valdevez.

A estrada, caracoleando, segue o curso endiabrado das águas do Vez, que correm pressurosas e barulhentas, ora entre fraguedos, ora escondidas sob amieiros, freixos, salgueiros, abrigos diletos da passarada.

É um território classificado pela Unesco como Reserva Mundial da Biosfera, atravessado por uma extensa ecovia, com um percurso final - cerca de 10 km - valorizado, aqui e ali, por passadiços.

Por asfalto, a dimensão do cenário não é menos esmagadora, quando se vislumbram os socalcos da povoação de Sistelo, moldados séculos a fio pela mão do Homem.

Um imaginativo sistema de rega levava a água até aos patamares, facilitando a pecuária, baseada na raça bovina autóctone -cachena - e a cultura do feijão tarrestre, outro produto da região. Bastante nutritivo e rico em fibra.

É uma paisagem única, deslumbrante - que justifica o epíteto tibetano - classificada como cultural, um sitio de interesse/monumento nacional, o 1.º em Portugal

Aldeia rural premiada, com um ponte medieval, ermidas e miradouros, Sistelo possui um núcleo central, de casario mais mais antigo, em que se destacam o castelo, curiosa construção do século XIX; uma fonte e vários espigueiros.

Muito perto, o Cantinho do Abade, um espaço acolhedor para reconfortar o estômago, resultou da transformação em restaurante da casa paroquial, onde o padre viveu durante mais de 40 anos.

O estabelecimento abriu portas no início de maio de 2018. Ocupa uma sala relativamente pequena - pouco mais de trinta lugares - , mas acolhedora. Três pequenas janelas garantem alguma luminosidade; na parede do fundo, em pedra, destaca-se um espelho: Há cabaças e potes em barro como elemento decorativo.

Mesas postas a preceito, cobertas com toalhas em tecido vermelho escuro, e cadeiras em madeira. Guardanapos em papel.

A ementa é curta, mas nem por isso menos apelativa. O recurso a produtos locais é uma boa aposta.

Pataniscas, chouriça assada e presunto formam trio de entradas.

Nos pratos de carne, destaca-se a proposta mais regional e para duas pessoas: posta da cachena com arroz de feijão tarrestre. Para acompanhar, batata frita aos cubos e feijão-verde.

Dose particularmente bem servida, com a carne, tenra, muito suculenta e grelhada no ponto, a fazer delirar o palato. Um sabor fantástico, a justificar loas ao meticuloso trabalho na grelha.

Para não destoar, o arroz, com enchidos, apresentou-se no ponto, com o feijão tarrestre a libertar goma, mantendo-se duro exteriormente, mas viscoso no interior.

Outras sugestões: escalopes de vitela à Visconde; lombinhos de porco e bife à Abade. Por encomenda, cabrito assado

O bacalhau das lavradas, frito, com cebolada e com passagem pelo forno antes de ser servido com broa, é alternativa ao poderio - natural - da carne. O arroz de feijão tarrestre é o acompanhamento.

Nas sobremesas, brilham a tarte de Sistelo e o pastel de feijão, mas há arroz doce e delícia à Abade.

Garrafeira com várias referências de produtores locais de vinho verde e serviço a copo. Muita simpatia no atendimento neste restaurante, onde há saborosas razões para ter gula. Logo, perdoada.

Onde fica:
Localização: Sistelo (Arcos de Valdevez)
Telef.: 258 563 201

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