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O "não" educa e protege. A ameaça maior não vem do velho do saco, da bruxa ou do papão

Se usado de forma sensata e coerente, o "não" é essencial na educação das crianças. A opinião é do psicólogo Eduardo Sá que considera que por um lado os pais infantilizam e retiram autonomia e por outro deixam-nos à mercê de outros perigos.

"Os pais não são importantes pela maneira como explicam aquilo que as crianças devem fazer, os pais são sobretudo importantes quando decidem os "nãos" de forma coerente", afirma o psicólogo.

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Para Eduardo Sá, se por um lado os pais infantilizam, não dão autonomia e imaginam mais perigos do que o mundo tem, por outro esquecem-se da ameaça que está no bolso deles. "Os pais são muito ciosos de perceber quem são os amigos das crianças, quem são os pais dos amigos das crianças e a ânsia é de proteger os filhos das más companhias e, às vezes, esquecem-se que as más companhias, por exemplo de um adolescente, estão no bolso. Os pais nem se quer têm ideia dos sites e de outras coisas por onde os adolescentes navegam e que são seguramente muito mais ameaçadoras do que o velho do saco, a bruxa ou o papão que, às vezes, vendíamos aos nossos filhos para eles serem mais comedidos."

Além disso, Eduardo Sá defende que as crianças começam por ser um bocadinho "mal-educadas", a partir do momento em que "os pais imaginam que o dizer "não", que é um património da humanidade, é quase um traumatismo em relação às crianças".

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