O tempo em que os moleiros tinham de conhecer a meteorologia

Na véspera do Dia Nacional dos Moinhos, a TSF foi conhecer um moinho em S. Brás de Alportel que conta a história de moleiros de outras eras.

Paulino Viegas das Neves está no alto do cerro onde se encontra o Moinho do Bengado. A vista alcança o mar e ali o vento conta histórias de moinhos com velas a girar e de moleiros de outros tempos. Paulino das Neves, 85 anos, passou a infância a ajudar o pai, moleiro em S. Brás de Alportel. "Comecei a trabalhar aos 8 anos, tive que começar a ajudar a descarregar o trigo dos burros, a ajudar nas mós".

A vida levou-o depois para outro ofício, o de carpinteiro mas Paulino conhece de cor os segredos que encerra cada moinho. "É preciso os moleiros serem como os pescadores, saber quando o tempo vem mau ou bom porque pode vir uma rajada e partir isto aqui" diz apontando para as velas.

"O moleiro nunca pode estar a dormir com o moinho a trabalhar", garante.

Tudo se explica cientificamente num moinho de vento. Até a direção para onde está virada a porta. " Do lado de Espanha é de onde menos sopra o vento por isso a porta está virada para aqui", esclarece Paulino Neves.

O moinho do Bengado é um exemplar de moinho de vento recuperado pela câmara de S. Brás de Alportel. Estes locais trabalhavam habitualmente apenas parte do ano e o moleiro andava a saltar de moinho em moinho. "Os donos dos moinhos de vento geralmente tinham também moinhos de água e no verão iam para aí".

Custódia Reis, técnica superior da câmara Municipal de S. Brás de Alportel lembra que a autarquia recuperou este património há cerca de 13 anos. Hoje é um local onde as gerações mais novas gostam de ir e ali muito aprendem.

"É um espaço visitado pelos jovens no âmbito da educação ambiental e conseguimos abordar um bocadinho das ciências e explicar a energia" eólica.

Um museu vivo, que está aberto a visitas e é um testemunho e uma marca deixada pela história.

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