Sociedade

Ordem dos Engenheiros alerta para importância do reforço antissísmico

Bastonário fala em "alterações de cosmética" nos edifícios sem qualquer preocupação com a segurança das pessoas.

Num dia de crise sísmica nos Açores, o bastonário da Ordem dos Engenheiros lembrou que está prometida, mas ainda não avançou, a alteração da lei que isenta a reabilitação urbana de introduzir sistemas antissísmicos nos edifícios.

Em zonas mais sensíveis, como é o caso de Lisboa, e onde há um grande mercado de edifícios reabilitados, a questão é ainda mais premente. Em declarações à TSF, Carlos Mineiro Aires explica que os promotores imobiliários nem sempre têm essa preocupação. O ideal, defende o bastonário da Ordem dos Engenheiros, é que essa informação fosse obrigatória para que o comprador soubesse de facto se o edifício justifica o preço.

Mineiro Aires está convencido de que estará para breve a alteração da lei para obrigar quem faz reabilitação de imóveis a incluir sistemas antissísmicos, uma intervenção técnica que pode ser determinante em caso de tremor de terra. O bastonário avisa que também é urgente transpor a legislação europeia que reforça os mecanismos de segurança no edificado.

Sobre a segurança dos edifícios em Portugal, em caso de tremor de terra, a TSF ouviu também um engenheiro sísmico. Mário Lopes, do Instituto Superior Técnico, acredita que há um investimento essencial do Estado em investigação, proteção civil e regulamentação técnica, mas também há falhas graves, como "a fiscalização da legislação que o próprio Estado cria, na reabilitação o grau de exigência da resistência sísmica é zero porque a lei quando se reabilita um edifício antigo a lei não obriga a cumprir a regulamentação posterior à construção original e ainda ao nível da rede de infraestruturas e da indústria e do património construído que precisam de ser protegidos dos sismos".