Os Caretos de Podence saem à rua. E podem estar prestes a tornar-se Património da Humanidade

Apelidam-no como o Carnaval mais genuíno do país. Está na aldeia de Podence, ao lado de Macedo de Cavaleiros, e vive essencialmente da vivacidade enigmática dos Caretos.

A partir deste sábado e até terça-feira, a aldeia de Podence transforma-se no centro das folias tradicionais do Nordeste Transmontano. Para lá de chocalharem, principalmente as raparigas solteiras, os Caretos recebem os forasteiros com 16 adegas onde se vão poder provar os produtos tradicionais e beber até cair.

A TSF foi até Podence perceber como se fazem os fatos para estas figuras enigmáticas.

Encontrámos um pequeno atelier, construído no cimo de um terreno, mesmo ao lado da casa de Inácio da Paula. Faz máscaras, desde pequeno, a partir duma chapa. "Faço-as com esta lata, ponho-lhe este molde para atalhar e corto-a com a tesoura da lata. Depois, faço-lhe a furação e pinto-as até as acabar."

Inácio da Paula constrói máscaras de todos os tamanhos, para crianças e adultos. Ali, no atelier, tem uma parede revestida com vários modelos. Vende-as para todo o lado.

Está prestes a fazer 70 anos. Até há bem pouco tempo, ainda se vestia de careto. Os caretos estão-lhe no sangue.

"Fui careto muitos anos. Ainda tenho dois pares de fatos." Fatos esses que, agora, também são usados pelos filhos.

Os fatos são feitos "a partir duma colcha antiga, que é cortada e talhada. Fazem-se os casacos e as calças. Depois, a franja, que leva muitos metros, é pregada ao traje", explica o artesão Luís Filipe, de 33 anos. "Demoro mais ou menos um mês a fazer um fato", adianta.

Começou a fazê-los quando tinha 14 anos. A franja, diz, é a parte mais difícil e mais demorada, porque cobre o fato todo. Para fazê-la, tem um pequeno tear herdado do avô. "Foi o meu avô que o fez. [Uso-o] só mesmo para fazer a franja, que é o que demora mais."

Ultimamente, a maior parte dos pedidos de fatos chegam das crianças. "Gostam cada vez mais dos caretos e até já há pais a darem-lhe um fato como prenda de Natal", conta o artesão.

Os preços destes fatos, que ainda levam os cintos e uma infinidade de chocalhos, podem variar entre os 550 e os 800 euros.

O Entrudo de Podence está em vias de ser Património Imaterial da Humanidade da UNESCO. O veredicto será conhecido no próximo mês de dezembro. Este pode ser o mais importante ano da vida dos caretos de Podence.

António Carneiro, presidente da Associação dos Caretos de Podence, acredita que o selo da UNESCO será uma realidade. "Acho que é uma mais-valia para toda a região do Nordeste Transmontano e para toda a identidade única que tem."

O Carnaval mais genuíno de Portugal já está na rua e vai durar até terça-feira, com um programa de Entrudo muito variado e animado.

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