Nadir Afonso

Panificadora de Vila Real em risco. Movimento quer travar demolição de edifício histórico

O edifício foi construído por Nadir Afonso, um dos mais importantes artistas do século XX, e aguarda por uma avaliação da autarquia que pode travar demolição. Movimento garante que falta apenas "vontade política".

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A Panificadora de Vila Real está em risco de ser demolida, apesar de ser um dos poucos edifícios construídos pelo arquiteto e artista plástico Nadir Afonso. O Movimento Pró Nadir procura travar a autorização dada pela Direção Regional de Cultura do Norte e espera que o pedido de classificação como imóvel de interesse municipal possa contribuir.

A decisão da administração central foi acolhida com surpresa pelos representantes do movimento, que receberam uma comunicação por parte da secretaria de Estado da Cultura a dar "indicação que existiu um pedido de parecer no âmbito daquelas medidas de salvaguardar do Alto Douro Vinhateiro, num processo de licenciamento de ampliação de uma superfície comercial, que é o Lidl, e que essa obra implicava a demolição e à obra".

Marta Leite, jurista e representante do Movimento Pró Nadir, explica à TSF que há um pedido para que o edifício seja considerado de interesse municipal e que "a demolição não deve ser iniciada enquanto este pedido não for analisado". No momento em que esse procedimento se iniciar "o edifício goza de uma proteção até à decisão sobre o seu mérito e a sua eventual classificação", o que é fundamental para os responsáveis do movimento.

O pedido, diz Marta Leite, continua parado na autarquia e a aguardar por uma decisão, numa altura em que a degradação do edifício é constante.

A arquiteta Ana Morgado considera que o local "está completamente abandonado e sofreu mutilações", o que se traduz num "elevado estado de degradação".

O Movimento Pró Nadir lamenta a incapacidade de se preservar uma das mais importantes obras do concelho, sendo "um dos poucos edifícios construídos da autoria de Nadir Afonso, que é considerado um dos mestres, um dos nomes artísticos mais importantes da arquitetura do século XX em Portugal", segundo a arquiteta.

Assim, os responsáveis querem evitar a todo o custo a demolição do edifício, mas não impõem qualquer destino para o espaço, o que deixa todas as hipóteses em aberto.

"Admitimos a hipótese de ser uma superfície comercial ou de ser usado para fins comerciais, claro que admitimos a hipótese um espaço público. Há alguns parceiros interessados, neste momento só nos falta mesmo a vontade política", reforça Marta Leite.

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