Sociedade

Parlatónio "grita" histórias de reclusos da Prisão da Guarda

Com histórias de vida de sete reclusos do estabelecimento prisional da Guarda, Américo Rodrigues tornou-se um poeta sonoro e compôs o disco "Parlatório", que será apresentado este sábado em Coimbra.

São histórias de toxicodependência, roubo ou homicídio, que pela voz de Américo Rodrigues assumem uma narrativa, com múltiplas mensagens.

Cada conversa com cada um dos prisioneiros durou cerca de oito horas e o objetivo era o de criar um "pequeno livro". Contudo, o tratamento destas histórias, algumas perturbantes, resultou em poesia sonora.

"Parlatório" é uma obra que vai ser apresentada no Salão Brazil, um tema único de cerca de 55 minutos com várias histórias de reclusos do Estabelecimento Prisional da Guarda. Sete reclusos, entre eles homens e mulheres, várias mensagens que chegam pela voz de Américo Rodrigues.

O disco é impossível de executar ao vivo, devido a todas as abordagens vocais diferentes que Américo Rodrigues executa. O tema das prisões e das vidas que as preenchem surgiu pelo trabalho que tem vindo a desenvolver com o estabelecimento prisional da Guarda. É lá que dá vida a oficinas de escrita, teatro e leitura.

Neste disco de poesia sonora, Américo Rodrigues partilha histórias verdadeiras dos reclusos, construindo com a sua voz e com paisagens sonoras várias mensagens que se cruzam, como diz, "que se atropelam". Lê, interpreta, grita ou chora, num trabalho de poesia sonora

A sessão de lançamento do disco de Américo Rodrigues, editado pela Bosq-íman:os, está marcada para as 15h00, deste sábado no Salão Brazil, em Coimbra e tem entrada gratuita.

Depois do lançamento decorre ainda uma uma mesa redonda, com a participação do autor, mas também de Paulo Lameiro, coordenador do projeto "Ópera na Prisão", e do sociólogo António Andrade Dores e do antropólogo Daniel Maciel.

Para além de Coimbra, o disco também vai ser apresentado em Lisboa, na Galeria Zé dos Bois, em fevereiro, mas a data ainda não está definida.