Incêndios

Pinhal de Leiria ainda à espera do futuro

Só uma família continua a viver em casa emprestada, mas na recuperação da mata nacional está quase tudo por fazer.

O incêndio atravessou o Pinhal de Leiria de sul para norte e entrou na freguesia da Vieira, concelho da Marinha Grande, onde provocou prejuízos em 30 habitações e anexos.

Passado um ano, só José Féteira e a mulher, ele reformado, ela aposentada do ICNF - Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, continuam à espera de regressar a casa, um edifício do Estado que pertence aos serviços florestais.

José Féteira lembra o contrato de arrendamento visado pelo Tribunal de Contas - "por conseguinte, estávamos aqui perfeitamente legais" - e lamenta dormir debaixo de tecto emprestado há 12 meses, enquanto aguarda por uma resposta: "Fomos sinalizados junto da Proteção Civil pela Câmara Municipal como um caso prioritário a resolver, visto que a nossa era primeira habitação, e ficávamos desalojados, e até hoje, zero. Não me pergunte o que é isso de Proteção Civil. Não sei. Não sei se existe".

Na Vieira, o trabalho dos voluntários foi essencial depois do incêndio. Carlos Feijão contou com eles e com o dinheiro do seguro para reconstruir a habitação, sem apoios oficiais nem para retomar a atividade profissional de eletricista: "Para que eu possa concorrer aos apoios, exigiam-me coisas que não têm cabimento. Sou um trabalhador em nome individual, estou coletado, pago os meus impostos, pago tudo, mas queriam escritas organizadas, certificações, acabei por não conseguir preencher o formulário".

Um ano depois, estão por fazer obras nos estaleiros municipais da Vieira e há sinalização por colocar na Estrada Atlântica e em percursos pedestres. Várias estradas da mata continuam encerradas.

O incêndio consumiu 86% do Pinhal de Leiria, o equivalente a 9.500 hectares. Até à data foram rearborizados 400 hectares e alienados 2.200 hectares que renderam 11,4 milhões de euros ao Estado, nos leilões de madeira ardida.

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