Sociedade

Plenário para escolher presidente na "aldeia do sossego"

Na pequena freguesia de São João do Peso, no concelho de Vila de Rei as eleições autárquicas funcionam de forma diferente.

No dia 1 de outubro votaram para eleger o presidente da Câmara e o presidente da Assembleia Municipal, e agora, no próximo domingo, às 16h30, reúnem-se em plenário de cidadãos para eleger o presidente da Junta de Freguesia.

A novidade este ano é que já não será de mão no ar. É voto secreto, mas em assembleia. A população reúne-se na Casa do Povo da aldeia para escolher quem vai estar à frente dos destinos da freguesia. Uma terra pequena, mas ainda assim com vida.

No café do Cantinho, há Pipis, um prato típico das aldeias desta região, tal como os plenários de cidadãos para eleger o ou a presidente de Junta, sobretudo nas aldeias mais pequenas, como é caso de São João do Peso.

António Oliveira, um dos 126 eleitores que no domingo sobem as escadas da Casa do Povo até ao salão nobre, garante que se vão entender e que do Plenário vai sair a decisão de quem vai conduzir os destinos da freguesia nos próximos quatro anos da "aldeia do sossego", como gosta de lhe chamar depois do regresso de décadas em que esteve emigrado.

Helena Marecos chegou de Lisboa para viver em São João do Peso. Ficou todos estes anos, garante à TSF, porque se apaixonou pelo espírito comunitário. E disse-nos isso enquanto o funcionário de um dos cafés da aldeia tentava ajudar a encher o pneu vazio do carro do lixo do colaborador da Junta de Freguesia.

À porta da Igreja de São João do Peso, à sombra de um freixo secular, símbolo da aldeia, conversámos com aquela que é, até agora, a única candidata assumida à Junta de Freguesia, a atual presidente, Rosário Cavalheiro diz que o método de voto de mão no ar foi alterado para voto secreto em plenário. "Conseguimos que fosse através do papel, porque há pessoas que ficam inibidas quando aparece mais do que um candidato", explica.

Até ao momento do Plenário de Cidadãos qualquer um dos eleitores pode assumir-se como candidato. Mas, seja quem for, Rosário Cavalheiro sabe que vai querer para São João do Peso o mesmo que ela tanto deseja: "mais gente a viver em São João do Peso e mais infraestruturas".

E como é ser presidente de Junta de uma freguesia com 150 pessoas? "Não tenho problemas em dar o telemóvel a todas as pessoas. Estou sempre contactável. Não fecho a porta a ninguém. Faço aquilo que está ao meu alcance".

Os dois cafés são os locais de convívio da população de São João do Peso, o parque infantil espera pelas crianças dos filhos da terra emigrados e que hão de chegar de novo no verão. Mas nem sempre foi assim, como conta Alice Portela: "agora já estou uma velhota, mas quando andava na escola éramos 44 alunos e foi decaindo até ter fechado com cinco alunos, e agora nem temos eleitores para ser freguesia".

Freguesia ainda é, mas em São João do Peso - porque não existem 150 eleitores são agora 126 - a eleição da figura de presidente de Junta é efetuada por plenário, o mesmo é dizer assembleia de votantes.

Para a Câmara e a Assembleia Municipal votaram 89 pessoas, numa aldeia que aguarda todos os anos pelo verão quando a população aumenta com a chegada dos emigrantes.

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