TSF - 28 anos

Quatro correspondentes, muitas estórias

Nos 28 anos da TSF fomos ouvir memórias de quatro antigos correspondentes da rádio. De Israel, ao Reino Unido, passando por Espanha e Alemanha.

Henrique Cymerman foi correspondente da TSF no Médio Oriente durante os primeiros anos da rádio. O jornalista diz que de imediato percebeu que estava perante uma nova forma de fazer jornalismo, menos institucional e mais humana, e recorda o momento em que Yasser Arafat interrompeu um direto.

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Foi no início da década de 90 que Henrique Cymerman fez as primeiras reportagens para a TSF. "Percebi de imediato que se tratava de uma nova forma de fazer rádio; em cima da notícia, mais direta".

Nasceu na cidade do Porto, onde esteve até aos 16 anos, depois foi viver para Israel. Correspondente da TSF no Médio Oriente, entre os momentos marcantes recorda uma visita da Gaza do então presidente da Assembleia da República, Almeida Santos.

"Eu estava a passar uma crónica para a TSF e tinha Arafat ao lado, a incomodar-me, porque não percebia que eu estava em direto e ele fazia comentários. Mas aquele era o único momento em que tinha ligação telefónica. Arafat oferecia-me pita com húmus, enquanto eu tentava concentrar-me na notícia que estava a passar da visita a Gaza".

Cymerman deixou a TSF há quase duas décadas, mas afirma, sem hesitar, que esta experiência marcou o percurso profissional. O vínculo à rádio mantém-se: "Quando quero alguma informação ouço a TSF", garante.

Henrique Cymerman foi o primeiro português a vencer o prémio norte-americano Daniel Pearl Awards, pelo trabalho de jornalismo de investigação a nível internacional.

Manuel Lopes - Espanha

Numa altura em que as relações entre Portugal e Espanha marcavam a antena. Durante mais de uma década as notícias do país vizinho chegavam pela voz de Manuel Lopes. O correspondente da TSF em Madrid recorda tempos em que se vivia o entusiasmo e a emoção da informação. Foram 12 anos de reportagens, com uma voz inconfundível.

"A TSF deu-me uma experiência nova, a notícia tinha repercussão em Portugal. Quando chegava a Lisboa, o taxista dizia-me: "Conheço a sua voz!"

Manuel Lopes foi correspondente da TSF no país vizinho até 2004. Com experiência de jornalismo noutros órgãos de comunicação social, garante que esta rádio deixou marcas. "O entusiasmo, a emoção, a imediatez da notícia e autonomia com que se trabalhava".

Entre as muitas reportagens, Manuel Lopes destaca o ataque terrorista em Madrid e a morte de Miguel Angel Blanco, 48 horas após ter sido raptado. Atualmente, Manuel Lopes está reformado, mas diz que não consegue desligar-se da paixão que ficou.

Gilberto Ferraz - Londres

Deu em primeira mão uma das notícias que marcaram a história da TSF: a operação de Bobby Robson a um tumor maligno. Gilberto Ferraz, foi correspondente da TSF em Londres entre 1995 e 2005, diz que guarda com saudades estes tempos, que o obrigaram a mudar a forma de fazer jornalismo.

Habituado ao estilo conservador da BBC, na rádio passou a adotar um estilo mais vivo e dinâmico. É com saudade que Gilberto Ferraz recorda a década em que passou pela TSF.

"Era um estilo completamente diferente, mais vivo, mais dinâmico e isso para a minha carreira de veterano. Tive que me habituar e foi um período de aprendizagem riquíssimo", recorda.

Das inúmeras reportagens que fez entre 1995 e 2005, Gilberto Ferraz destaca a notícia, em primeira mão, da operação de Bobby Robson, para remover um tumor maligno. "Um dos editores comunicou ao FC Porto o teor da minha peça, foi-lhe desmentido, ele ligou-me e eu disse que tinha a certeza e a partir daí a TSF transmitiu no intervalo de um Sporting - FC Porto e como mais tarde verifiquei a notícia rebentou como uma bomba".

Outro momento marcante foi a morte da Princesa Diana, que chama de reportagem maratona. "Comecei a reportagem às 01:45 da manhã e foi até às 05:00 horas e no dia seguinte foi uma maratona completa". Mais de 10 anos depois de ter deixado a telefonia o vínculo emocional mantém-se. "A TSF é um dos elos que tenho em Londres", refere.

Gilberto Ferraz já abandonou o jornalismo, mas ainda colabora com o jornal de Tondela, a sua terra Natal e em Inglaterra continua a ser solicitado para comentar temas relacionados com Portugal.

José Belchior - Alemanha

Acompanhou grande parte da história desta rádio. Durante 20 anos, José Belchior foi o correspondente da TSF na Alemanha. Diz que se fosse mais novo voltava à antena e recorda o passado, em que as comunicações eram muito difíceis. "Foi um trabalho que sempre fiz com gosto ao longo de 20 anos".

"Eu comecei a trabalhar na TSF ainda estava aí o Emídio Rangel. Posso dizer que com menos uns anos de idade aceitava voltar a ser correspondente da TSF na Alemanha".

O jornalista recorda outros tempos, com poucos meios técnicos e muita imaginação. "Eu tinha um dispositivo técnico no meu telefone para enviar as reportagens. Eram dois "crocodilos", desmontava o telefone, ligava os dois crocodilos ao telefone, punha o gravador a funcionar e chegava lindamente".

José Belchior deixou de ser correspondente da TSF em 2012, entretanto abandonou o jornalismo e dedicou-se às traduções. "Espero que continue a ser uma rádio de referencia como sempre foi".