Sírios em Portugal

"Refugiados não podem pensar que são eternas vítimas"

Em Miranda do Corvo, há três famílias de refugiados sírios que ficaram esta segunda-feira sem água nem eletricidade. Presidente da Fundação a quem pertencem as habitações diz que famílias recusaram integrar-se na sociedade.

Três famílias de refugiados sírios, que estão há cerca de ano e meio em Miranda do Corvo, viram esta segunda-feira os serviços de água e eletricidade serem-lhes cortados por ordem da Fundação Assistência para o Desenvolvimento e Formação Profissional (ADFP), responsável pelas habitações em que estão alojados.

Uma das famílias já aceitou sair das habitações por não ter condições para pagar a habitação, mas as outras duas não indicaram, até agora, qualquer intenção de abandonar as casas.

Em declarações à TSF, o presidente da ADFP, Jaime Ramos, alega que até aqui "foi tudo pago porque a União Europeia e o Estado português pagaram-lhes as despesas todas durante o período em que o projeto era comparticipado. Quando chegou ao fim, o que se passou há cerca de dois meses, eles tinham obrigação de encontrar - com apoio, como é evidente - a sua autonomia. Podiam mudar eventualmente de casa, para uma mais barata, se aquelas em que estão forem caras, mas pagando a água e a luz como qualquer família em Portugal."

A ADFP quer cobrar 340 euros por cada T3 que estas famílias ocupam. Em declarações à Lusa, dois dos homens sírios dizem que as famílias recebem 500 euros de apoio da Segurança Social, valor que não consideram ser suficiente para viver, tendo em conta os preços cobrados pelas habitações.

Na ótica de Jaime Ramos, "eles não podem pensar que a sua situação de refugiados os transforma em eternas vítimas, que não têm de fazer qualquer esforço de integração na sociedade portuguesa. Recusaram apoio, recusaram-se a procurar casa, recusaram-se a pagar água e luz e a assumir despesas."

O presidente da ADFP defende que, após o fim do período em que o projeto é totalmente comparticipado, estas famílias devem "tentar a sua autonomia e integração em Portugal, através do trabalho ou dos apoios do Estado português e da Segurança Social."

Jaime Ramos revela que estas três famílias "ao contrário de todas as outras, acharam que não deveriam caminhar para a autonomia. Pura e simplesmente recusam-se a trabalhar ou a pagar as suas despesas, procurando receber o dinheiro do Estado mas não assumindo qualquer despesa."

Apesar desta ordem de corte de luz e água, Jaime Ramos relembra que estes casos representam um "número muito reduzido, que não pode manchar o bom exemplo das outras famílias que estão integradas e que se têm esforçado."

Sobre se receia perder o acesso a fundos da União Europeia ou do Governo, Jaime Ramos defende que a ADFP está a "cumprir perfeitamente as regras" e a "cumprir com a obrigação de apoiar".

O ex-autarca de Miranda do Corvo alerta que o que não pode acontecer é a ADFP ser "chantageada por um número reduzido de famílias, neste momento são só duas, que insistem em ter este comportamento. O errado seria sermos chantageados."

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