Sociedade

"Turistificação" ameaça centros históricos

O turismo pressiona o setor imobiliário, que, por sua vez, faz das autarquias em dificuldades financeiras reféns, descaracterizando o património. O diagnóstico é de Vítor Cóias do Fórum do Património.

Hoje é Dia Nacional dos Centros Históricos. Vítor Cóias, especialista em reabilitação urbana e um dos organizadores do Fórum do Património, afirma que "tem havido grandes dificuldades em mobilizar recursos financeiros para reabilitar o património construído e os centros históricos". Vítor Cóias aponta as dificuldades financeiras como um dos principais entraves à reabilitação. "Impossibilitam o Estado de manter o investimento na conservação dos centros históricos. Mas existe outro efeito que é a própria reabilitação urbana, que muitas vezes descaracteriza os centros, quando edifícios antigos são substituídos por modernos que não têm nada a ver com o caráter do centro. Isto tem um efeito de desvalorização".

Em declarações à TSF, este especialista diz ainda que a legislação que existe é suficiente, mas "as decisões quanto ao que se constrói ou não, ou as demolições, são das autarquias".

Vítor Cóias aponta dois exemplos de património arquitetónico em risco: o Largo de S. Miguel, em Lisboa, onde vai ser construído o Museu Judaico; e a Praça das Flores, "que vai ser descaracterizada com um edifício de um arquiteto famoso e que não tem nada a ver com o conjunto da Praça. O património está protegido pela legislação, mas na prática existem vários atropelos".

O presidente da Comissão Organizadora do Fórum do Património afirma que "por trás destas iniciativas que descaracterizam as zonas históricas, há interesses financeiros muito importantes. O setor imobiliário e da construção tem uma capacidade de influência sobre os decisores. As autarquias sem recursos financeiros, ficam reféns destes interesses que põem em causa o património".

Quanto ao turismo, Vítor Cóias diz que cada vez é mais visível a modificação de edifícios de habitação para edifícios de alojamento local. Uma multiplicação a que chamo de 'turistificação' dos centros históricos".

No Dia Nacional dos Centros Históricos deixa a mensagem de que é importante que todos os portugueses tenham consciência da importância do património e que todos denunciem situações de destruição do património.

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