Sociedade

Um cabo de aço partido. Autarquias pedem obras urgentes na Ponte do Guadiana

Empresa pública responsável pela ponte garante segurança pois cabo de aço é apenas um dos 37 de cada tirante. Autarquias temem acidente. Projetista da obra confirma que reabilitação está atrasada.

As câmaras de Vila Real de Santo António e Castro Marim exigem obras urgentes na Ponte Internacional do Guadiana, uma das maiores do país e que serve de porta de entrada a quem chega de Espanha.

Os autarcas falam mesmo em problemas de segurança, negados pela Infraestruturas de Portugal que confirma, no entanto, que um dos 37 cordões de aço de um tirante da ponte partiu-se há alguns meses.

À TSF, o engenheiro Câncio Martins, autor do projeto de construção da ponte inaugurada há 25 anos, confirma que já fez dois projetos de reabilitação global da obra.

O primeiro foi concluído há alguns anos, ficou na gaveta, custou dinheiro ao Estado e, no ano passado, com o passar do tempo, teve de ser encomendado outro que já foi entregue à Infraestruturas de Portugal.

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Câncio Martins admite que a reabilitação já devia ter sido feita há alguns anos e o rompimento de um cordão de alta resistência de um tirante é um sinal que preocupa: se este se rompeu e está pendurado na ponte, na vertical em vez de na diagonal (como seria normal), o mesmo pode acontecer a outros que podem atingir uma viatura.

Do lado das autarquias, o presidente do município de Castro Marim, concelho onde a ponte 'entra' em Portugal, pede obras urgentes.

Francisco Amaral diz que há várias intervenções necessárias para "oferecer o mínimo de segurança" pois a ponte está "deteriorada e o cabo que se partiu mostra que é urgente atuar e espera que isso aconteça antes que ocorra uma desgraça".

Infraestruturas de Portugal promete obras este ano

Em resposta à TSF, a Infraestruturas de Portugal admite que a ponte, ao fim de 25 anos de uso, precisa de uma reabilitação estrutural, mas promete que as obras começam no terceiro trimestre deste ano.

O concurso público está em marcha, as propostas estão a ser avaliadas e os custos, perto de 10 milhões de euros, serão repartidos com Espanha.

A Infraestruturas de Portugal acrescenta ainda que estão garantidas as condições de segurança e acrescenta que o que partiu foi um dos 37 cordões ou cabos de aço que constituem um dos tirantes da ponte.

As obras previstas incluem, por exemplo, a reabilitação dos tirantes, a reparação do betão armado, bem como o reforço da sinalização rodoviária e novos sistemas de monitorização da ponte.

"Um cabo de aço não se parte de um dia para o outro"

Depois de Castro Marim, o concelho português mais perto da Ponte Internacional do Guadiana é Vila Real de Santo António.

O presidente, Luís Gomes, também pede urgência nas obras e diz que o que aconteceu ao cabo de aço revela falta de manutenção.

A autarquia de Vila Real de Santo António pede a intervenção do governo junto da Infraestruturas de Portugal.

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