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Um pátio alentejano com petiscos e muito mais

Em Montemor-o-Novo há um pátio onde os petiscos fazem jus ao nome, mas a casa ostenta estatuto de reconhecida qualidade, pela excelência da cozinha, alentejana na sua essência, matérias-primas e serviço.

Curvo Semedo, um dos fundadores da Nova Arcádia, movimento literário que nasceu nos finais do século XVIII, foi um dos montemorenses mais ilustres. Poeta, com o pseudónimo de Belmiro Transtagano, conhecido pelas polémicas com Bocage, foi cavaleiro da Ordem de Cristo e fidalgo da Casa Real.

O cine teatro daquela cidade alentejana, projetado por Raul Lino e inaugurado em 1960, ostenta o nome daquele vulto da cultura nacional, igualmente consagrado na toponímia local: a rua Curvo Semedo, nas imediações da antiga estação ferroviária, tem como uma das referências o restaurante Pátio dos Petiscos.

É uma casa que ilude pela aparência e quase passa despercebida, não fosse a barrica colocada entre as duas portas envidraçadas.

Todavia, o interior desdobra-se em vários espaços, com travejamento em madeira, paredes em tijolo, chão em ladrilho avermelhado.

Ambiente confortável e decoração aprimorada, com apontamentos rústicos a emprestarem uma atmosfera mais regional a este restaurante onde a matéria-prima, em particular a carne, é de qualidade e bem trabalhada. É uma casa de alma alentejana, reconhecível logo ao primeiro olhar sobre a carta, mas com um toque mais hodierno.

A tradição dos petiscos, até para justificar o nome da casa dirigida por Francisco Malhão há uma década, está bem presente e o rol é tão vasto, quanto aliciante: queijo chèvre gratinado com base de maçã em molho de mel e vinho do Porto; ovas de choco grelhadas com crosta de pão e salsa de tomate; à Brás de farinheira de porco alentejano; peixinhos da horta do Pátio com espargos verdes; ovinhos de codorniz com molho de tomate e base de pão frito; camarão com toucinho de porco entremeado e molho de mel.

O primeiro impacto é desde logo, muito positivo, o que permite encarar com entusiasmo a fase seguinte, onde surge a tradicional sopa de cação.

A escolha é difícil, uma vez que a carne de borrego da raça Suffolk, originária da Grã-Bretanha, alimenta um capítulo chave da ementa: perna de borrego na grelha a baixa temperatura, trinchada no momento com batata à padeiro e salada mista é uma das especialidades, mas, também há costeletas confitadas e arroz de miúdos. O ensopado de borrego com pão frito alentejano, para duas pessoas, reforça o lado mais tradicional destas saborosas opções.

Nas sugestões do chef, brilharam as tradicionais bochechas de porcco - carne a desfazer-se na boca - com migas de tomate e cebolinho em molho balsâmico, particularmente gostoso.

Os abanicos de porco alentejano grelhados com migas de espargos fizeram, com grande gabarito, jus à fama granjeada.

Alternativas propostas, entre outras, bacalhau confitado com açorda de amêijoas; choco com gambas e batata a murro; lombinho de vaca maturado com Eryngui e migas de batata.

Referência para o bacalhau panado com legumes grelhados e batata a murro e ainda atum na grelha com migas de batata-doce.

Sobremesas regionais - doces conventuais e sericaia com ameixa de Elvas - bem confecionadas.

Carta de vinhos de muito bom nível.

Serviço competente e atencioso neste pátio alentejano onde dos petiscos aos pratos principais há qualidade e saber culinário. Em Montemor-o-Novo.

Localização: Montemor-o-Novo

Telef.: 266 890 038 ; 918 116 597 ; 968 602 986

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