IRA

Violência, assaltos e terrorismo. As suspeitas e os métodos do IRA para salvar animais

Não se limitam a defender dos direitos dos animais. Perante uma acusação de negligência ou maus tratos, os membros do IRA fazem justiça com as próprias mãos e estão agora a ser investigados por suspeita de vários crimes.

De cara tapada e armados com machados, cassetetes e matracas de metal, não é inocente a semelhança do grupo Intervenção e Resgate Animal com o extremista Exército Republicano Irlandês.

"Olá, somos o IRA", começa por dizer, de voz distorcida, um dos encapuzados, do num vídeo que se propõe a esclarecer as práticas do grupo, mas que acaba por ter pretensões humorísticas.

"Agora a sério, acham que íamos estar aqui a dar-vos satisfações daquilo que nós fazemos? O nosso objetivo é resgatar animais. Não nos interessa se gostam ou se odeiam. O que interessa no fim é o trabalho feito, são os animais retirados de condições de maus tratos."

Para resgatar animal em risco de vida, os meios justificam os fins? Meios como violência, terrorismo, sequestro ou assalto à mão armada? Segundo o Público , os membros do IRA estão a ser investigados pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público por suspeita destes crimes.

A atuação do grupo parte de denúncias nas redes sociais. Recebida uma acusação de negligência ou maus-tratos, o grupo mobiliza-se para retirar o animal em causa da situação em que se encontra.

Cães, gatos e cavalos subalimentados, acorrentados ou em condições de habitabilidade degradantes, entre lixo e dejetos. Em muitos casos as mesmas condições em que vivem os próprios donos.

No Facebook e Youtube o grupo partilha vídeos das intervenções que leva a cabo.

Em algumas situações, o grupo entre em contacto com os donos dos animais alvo de denúncia e pede autorização para resgatar o animal. A este dono, por exemplo, o IRA pediu para partir o vidro de casa onde um cão corria risco de vida. O dono autorizou.

Noutros casos são partilhadas imagens dos animais a que não foi possível acudir sem quebrar a lei, entre lamentos pela impotência e criticas às autoridades pela falta de atuação.

Neste vídeo, um membro do grupo assiste à agressão de um cão pelo dono, mas escreve que "o IRA não pode fazer nada porque saltar muros é invasão de propriedade privada: crime!; o IRA não pode fazer nada porque pegar no pau/ferro e dar uma lição ao autor é agressão: crime!; O IRA não pode fazer nada porque divulgar a morada aqui seria devassa da vida privada: crime!

Mas também há denúncias de "maus adotantes", incluindo divulgação de nomes, fotografias, páginas de Facebook e moradas de donos acusados de maltratar os seus animais de estimação.

"Filha, até moras perto de mim e tudo. Vem-me abanar pelo pescoço vem, a ver se não te arranco a cabeça", é o comentário com mais gostos deste vídeo, entre vários com ameaças à dona acusada.

PAN envolvido?

Depois de a advogada Cristina Rodrigues, membro da comissão política do PAN e chefe de gabinete do partido ter assumido, em declarações à TVI, ser representante legal do IRA e não ter desmentido pertencer ao grupo, o PAN foi obrigado a emitir um esclarecimento.

O partido de André Silva rejeita "qualquer ligação ou relação" com o grupo IRA e "repudia qualquer tipo de ação individual ou coletiva que intimide a sociedade civil e os cidadãos", pode ler-se num comunicado enviado à TSF.

Já o Partido Comunista e o Partido ecologista Os Verdes exigem um "cabal esclarecimento" e "apuramento de responsabilidades" sobre o caso.

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