Arguidos de Pedrógão acusados de quase 700 crimes

Sub-diretores da EDP e comandantes dos bombeiros e proteção civil são os principais visados.

Os 12 acusados pelo Ministério Público depois do inquérito ao que aconteceu em Pedrógão Grande em junho de 2017 são acusados de um total de 443 crimes de homicídio por negligência e 251 crimes de ofensa à integridade física.

É essa a conclusão que se tira da acusação a que a TSF teve acesso, sendo que dois responsáveis da EDP e quem liderou o combate às chamas no início do fogo são os maiores visados.

O elevado número de crimes está, naturalmente, relacionado com o grande número de vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande e afetou depois vários concelhos à volta.

Para o Ministério Público as vítimas foram apanhadas por um incêndio potenciado pela má limpeza da floresta debaixo das linhas elétricas e por um combate mal feito nas primeiras horas que tornaram a situação incontrolável.

Na lista de 12 acusados, os dois responsáveis da EDP (sub-diretores das áreas comercial e de manutenção) são por isso responsabilizados por todos os mortos, 63, e por todos os feridos apurados pelo Ministério Público, ou seja, 44.

O comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande que alegadamente enfrentou mal as chamas no início, tal como os dois comandantes distritais da proteção civil, são responsabilizados por idêntico número de mortes e de feridos.

Falta de limpeza nas estradas

A investigação explica que depois da fase inicial, que a acusação sustenta ter sido mal combatida, as chamas atingiram a fatídica estrada nacional 236 onde morreram mais de trinta pessoas.

Também aí os combustíveis florestais estavam muito mal limpos, razão que leva três responsáveis da concessionária Ascendi, que devia fazer a limpeza numa faixa de 10 metros, a serem responsabilizados por 34 mortes e 7 feridos, ou seja as vítimas na EN236-1.

Finalmente, também por falta de limpeza em estradas que deviam ser bem geridas pelos municípios, dois presidentes de câmara e um vereador são acusados, conforme os casos, de 2 a 10 crimes de homicídio por negligência, além de 1 a 4 crimes de ofensa à integridade física.

Veja também: Quem são os acusados pela tragédia de Pedrógão Grande

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