"A chegada das mulheres ao mundo público foi sem dúvida uma das conquistas do 25 de Abril"

À margem das comemorações do 25 de Abril, em Viseu, a antiga Procuradora Geral da República considerou que a justiça mudou para melhor no nosso país mas lembrou que o combate à corrupção e à violência doméstica não pode ser feito apenas pelos tribunais.

A justiça mudou com o 25 de Abril e com a entrada das mulheres na magistratura, que até 1974 estavam impedidas de exercer funções de juízas ou de procuradoras do Ministério Público. É pelo menos isso que acredita Joana Marques Vidal, a antiga Procuradora-Geral da República, numa ideia defendida esta quinta-feira em Viseu, durante as comemorações dos 45 anos da revolução dos cravos, promovidas pela Câmara e Assembleia Municipal local.



"O facto de qualquer instituição ter só mulheres a dirigir, ter só homens ou ter homens e mulheres com certeza que faz mudar o modo como essas instituições exercem as suas competências. A chegada das mulheres ao mundo público foi muito importante e sem dúvida uma das conquistas do 25 de abril e um reflexo de que houve uma revolução e temos outro Estado", disse no final da sessão à TSF.

Na justiça portuguesa aconteceu uma autêntica revolução de género. Hoje, segundo Joana Marques Vidal, 60 por cento dos magistrados é do sexo feminino.

A ex-procuradora rejeitou a ideia de a independência dos tribunais em Portugal estar ameaçada, mas defendeu que "os portugueses devem assumir [esta] como uma questão essencial para a democracia".

Violência doméstica e corrupção são dos crimes mais falados e mediatizados no nosso país, temas que, na opinião de Joana Marques Vidal, não podem ser resolvidos e condenados apenas pela justiça.

"O que é importante é a interiorização pelo cidadão de que não é tolerável a continuação da prática de um conjunto de comportamentos e de atividades. O que é importante é que o cidadão exija aos poderes públicos, aos titulares políticos, às suas empresas e no seu dia-a-dia um conjunto de regras e de procedimentos e que seja considerado intolerável um conjunto de práticas", afirmou.

À TSF não escondeu que os tribunais e Ministério Público não têm todos os meios necessários para combater estes dois crimes, mas defendeu que com os que existem "pode fazer-se mais".

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