Operação Marquês

Como Ricardo Salgado orientou Sócrates e mandava em Granadeiro e Bava

Ministério Público acusa Bava e Granadeiro de receberem ordens do líder do BES. Investimentos que levaram à ruína da PT.

A acusação final da Operação Marquês, a que a TSF teve acesso, acusa Ricardo Salgado de ter pago 21 milhões de euros a José Sócrates para influenciar fortemente as suas decisões políticas enquanto primeiro-ministro, mas também aponta o dedo aos homens fortes da PT que segundo o Ministério Público era uma empresa claramente usada a favor dos interesses do Grupo Espírito Santo (GES).

O ponto máximo da relação Salgado-Sócrates terá sido na OPA da Sonae à PT contestada pelo líder do GES. O MP afirma que algures "entre 1 de março e 18 de abril de 2006" o arguido Ricardo Salgado propôs a José Sócrates, então primeiro-ministro que, como contrapartida do pagamento de uma quantia avultada, condicionasse a atuação do governo" aos seus interesses, nomeadamente garantindo a oposição à referida OPA através das ações de que o Estado era titular através, também, da CGD, Segurança Social e Parpública.

A ligação Salgado-Bava-Granadeiro

Além de Sócrates, grande parte do processo nem se foca no antigo primeiro-ministro mas sim na forma como Ricardo Salgado dominava os destinos da PT.

O MP garante que Salgado teve um acordo entre 2006 e 2010 com Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, pagos a peso de ouro para que estes "em contrapartida do pagamento de avultadas quantias em dinheiro" favorecessem o GES na gestão dos recursos financeiros da PT.

A acusação garante que Ricardo Salgado tinha um claro "ascendente" sobre quem decidia o futuro da PT, "acatando" as suas ordens e enviando-lhe documentos internos e até confidências da empresa, bem como a partilha de decisões internas de gestão.

Há vários relatos de visitas à sede do BES, em Lisboa, depois de convocados por Salgado.

"Caro Ricardo, aqui vão as últimas"

Um exemplo dessa partilha de informação aconteceu em abril de 2008 quando "Granadeiro remeteu a Salgado documentos referentes ao plano estratégico para a PT, acompanhados de um cartão pessoal em que manuscreveu os dizeres "Caro Ricardo, aqui vão as últimas"".

Em fevereiro de 2009 foi Bava quem enviou a Salgado "documentos confidenciais referentes aos resultados anuais da PT de 2008 no dia anterior à sua divulgação ao mercado, referindo estar ao dispor de Salgado para discutir em maior detalhe os resultados, bem como a estratégia da PT para 2009".

"Regularmente", conta a acusação, "os arguidos Henrique Granadeiro e Zeinal Bava davam conhecimento a Ricardo Salgado dos desenvolvimentos dos negócios da PT, acatando as suas instruções e orientações".

Conversas que acabavam por afetar inúmeras decisões da PT mas que tiveram como culminar o endividamento da empresa para investir em dívida que viria a ser ruinosa do GES.

À medida que o GES ficavam sem liquidez a PT ia colocando cada vez mais dinheiro na dívida do grupo, acabando, no final, por perder quase 900 milhões de euros. Um buraco que levou a grande empresa PT que Portugal conhecia a desaparecer e a ser absorvida pela brasileira Oi.

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