Operação Marquês

José Sócrates e Santos Silva libertados

Ex-primeiro ministro e o amigo deixaram de estar em prisão domiciliária. A Procuradoria Geral da República considera que diminuiu o perigo de perturbação da prova. João Araújo diz que o Ministério Público "levou uma trepa".

A PGR informa em comunicado que a medida de coação que obrigava os arguidos José Sócrates e Carlos Santos Silva a permanecerem em casa foi "substituída pela proibição de ausência do território nacional, sem prévia autorização, e pela proibição de contactos, designadamente com outros arguidos no processo".

"O Ministério Público considera que se mostram consolidados os indícios recolhidos nos autos, bem como a integração jurídica dos factos imputados. Pelo que, na atual fase da investigação, diminuiu a suscetibilidade de perturbação da recolha e da conservação da prova", refere a nota divulgada.

A defesa do ex-primeiro ministro confirmou à TSF que José Sócrates foi notificado da decisão poucos minutos antes das 18:00.

"Está em liberdade", disse o advogado de Sócrates.

João Araújo, considerou que "esta foi uma libertação imposta pelo Tribunal da Relação de Lisboa". O advogado contesta o comunicado da Procuradoria Geral da República defendendo que o que está escrito no documento "é mentira" e que "formalmente, o que se está a passar é que o Ministério Público insiste em esconder que levou uma trepa"

Falando à porta da casa de José Sócrates, pouco depois das 19:00 desta sexta-feira, João Araújo recusou a ideia de vitória no processo.

"Não há vitórias", sublinhou antes de voltar a criticar o Ministério Público: "O que querem esconder é uma derrota, não uma vitória de alguém mas uma derrota deles. Todos este processo é uma derrota para o país, para a democracia e para o Estado de Direito".

A libertação de Sócrates acontece 329 dias depois de o ex-primeiro ministro ter sido detido, no aeroporto de Lisboa, a 22 de Novembro de 2014.

Terminou prisão domiciliária de Armando Vara, que pediu acesso aos autos

A defesa de Armando Vara, outro dos arguidos na Operação Marquês, anunciou hoje que já pediu para ter acesso aos autos da investigação, depois de o Tribunal da Relação de Lisboa ter decretado o fim do segredo de justiça interno no caso.

Em declarações à TSF, o advogado Tiago Rodrigues Bastos explica que estes dados são fundamentais para preparar a defesa do ex-ministro.

"Pretendo e já pedi, porque me parece evidente que tenho direito a saber o que consta dos autos e é fundamental para a defesa do dr. Armando Vara. O passo seguinte será estudar o que está no processo para tomar uma posição, mas no imediato a posição mais importante a tomar é requerer que cessem as medidas de coação aplicadas ao dr. Armando Vara".

O advogado Tiago Rodrigues Bastos explica que Armando Vara já não está em prisão domiciliária, e considera estranho que as medidas de coação,como a caução de 300 mil euros ainda não tenham sido suspensas.

"Já fui notificado e neste momento já cessou a prisão domiciliária. Já está livre de se mover para onde entender dentro do espaço nacional. A única estupefação é que me parece que, em face dos últimos acontecimentos, essas medidas, pelo menos a caução, deve cessar em breve e é isso que irei requerer".

Uma decisão que surge depois de o Tribunal da Relação de Lisboa ter decretado o fim do segredo de justiça interno no caso. Além da caução, Vara está proibido de contactar os restantes arguidos no processo e de se ausentar para o estrangeiro.