Operação Húbris

Militares da GNR querem quebrar o silêncio sobre o que aconteceu em Tancos

Militares ficaram em silêncio no primeiro interrogatório mas dizem-se preparados para falar.

Os três militares da GNR detidos pela Polícia Judiciária no âmbito da investigação ao furto de material militar de Tancos vão falar em tribunal.

À TSF, o advogado Luís Cruz Campos confirmou que já vai requerer uma audição para que os militares possam responder às perguntas do juiz de instrução.

No primeiro interrogatório da Operação Húbris, no dia 27 de setembro, dois dos três militares detidos preferiram ficar em silêncio sobre o caso.

Estavam detidos há muitas horas, "cansados", e por isso "não estavam em condições" de falar, justifica o advogado.

O objetivo, avança ainda o advogado, é dar ao tribunal uma versão alternativa da alegada pela Polícia Judiciária, que acusa a GNR de Loulé de colaborar numa "encenação".

O Expresso divulgou na quinta-feira que o ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar (PJM), major Vasco Brazão, disse ao juiz de instrução que, no final do ano passado, e já depois de as armas terem sido recuperadas, deu conhecimento ao ministro da Defesa, juntamente com o então diretor daquela polícia, da "encenação montada em conjunto com a GNR de Loulé em torno da recuperação as armas furtadas" do paiol nacional de Tancos.

No mesmo dia o ex-chefe de gabinete do ministro da Defesa admitiu que recebeu em novembro o coronel Luís Vieira e o major Brazão, mas nunca percebeu qualquer "indicação de encobrimento de eventuais culpados do furto de Tancos".

A Polícia Judiciária deteve no dia 25 de setembro, o diretor e outros três responsáveis da Polícia Judiciária Militar (PJM), um civil e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

Segundo o Ministério Público, em causa estão "factos suscetíveis de integrarem crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas".

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