Operação Marquês

O dicionário de Sócrates para falar em dinheiro

Conheça os códigos que o Ministério Público acredita que o antigo primeiro-ministro usava para pedir dinheiro sem levantar suspeitas.

O Ministério Público está convencido que José Sócrates recebeu milhares de euros ao longo de uma década através do seu primo, primeiro, e, depois, do amigo Carlos Santos Silva. Dinheiro que, de facto, teria sido ganho ilegalmente pelo primeiro-ministro.

Mas para esconder a real origem dos fundos os magistrados garantem que todas as conversas telefónicas em que se falava de dinheiro eram codificadas.

As conversas de arguidos com outras pessoas captadas nas escutas referem que Sócrates terá "advertido e avisado" os mais próximos da esfera pessoal e colaboradores de que deviam usar palavras alternativas quando falavam de dinheiro e "frases sem detalhes".

A determinada altura a acusação de 4 mil páginas, que tem sido lida pela TSF, refere explicitamente 14 sinónimos usados por José Sócrates e Carlos Santos Silva para falar em dinheiro. Entre eles:
"Dossier"
"Livros"
"Fotocópias"
"Folhas"
"Daquela coisa"
"Aquilo que era para..."
"O resto das fotocópias"
"Aquela coisa que eu gosto"

Expressões que segundo o Ministério Público significavam "a entrega de quantias monetárias em notas do Banco Central Europeu".

"Os testes do explicador Duda"

No entanto, além de Sócrates e Carlos Santos Silva também outros arguidos envolvidos nas entregas de dinheiro, Inês do Rosário, João Perna, Sofia Fava e outros beneficiários utilizavam "idênticas expressões" ou outras.

Os exemplos citados apontam para frases como ""não te esqueças de mim já estou a precisar", "preciso de alguma coisa", "as fotocópias mais pequenas" (referindo-se a notas de valores mais pequenos), "estou a precisar daquela coisa", "estou à rasca", "aquela coisa", "como estamos no fim do mês...", "não se esqueça", "do meu...", "ia tratar disso", "guita", "massa", "um papelito" ou "um envelopezinho".

O Ministério Público refere está ainda convencido de que, numa conversa captada em novembro de 2011 entre Sócrates e a antiga mulher, Sofia Fava, a expressão enviada por sms "os testes do explicador do Duda" se referia a dinheiro de que os arguidos queriam evitar falar.

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