"Pressão? Não." Ex-presidente da mesa da Assembleia Geral da PT nega pressão de Salgado

António Menezes Cordeiro, antigo presidente da mesa da Assembleia Geral da Portugal Telecom foi ao Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa garantir que nunca sentiu na empresa qualquer pressão de Ricardo Salgado. Foi a primeira testemunha arrolada pela defesa de Henrique Granadeiro a ser ouvida na fase de instrução.

Henrique Granadeiro foi o arguido da Operação Marquês que mais mais testemunhas arrolou para a fase de instrução. No total, o ex-presidente da Portugal Telecom (PT) indicou 15 testemunhas abonatórias, e as três primeiras foram ouvidas esta tarde pelo juiz Ivo Rosa no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa (TCIC).

António Menezes Cordeiro, antigo presidente da mesa da Assembleia Geral da PT entre 2006 e 2012, foi a primeira testemunha a ser inquirida e a única que prestou declarações aos jornalistas. À saída do TCIC, Menezes Cordeiro garantiu que nunca sentiu na PT qualquer pressão de Ricardo Salgado: "Pressão? Não, nenhuma. Não tenho elementos nenhuns que vão nesse sentido. Aquilo que que vi foram assembleias onde as pessoas votaram e não vi nada de suspeito."

O antigo presidente da mesa da Assembleia Geral da PT garantiu ainda que as atas das reuniões provam que o chumbo à OPA da SONAE sobre a PT foi transparente e sem interferências do Grupo Espírito Santo (GES).

Amanhã serão ouvidas mais 3 testemunhas, incluindo Jorge Tomé, ex-administrador não executivo da PT em representação da acionista Caixa Geral de Depósitos e antigo presidente do BANIF.

Entre as testemunhas arroladas pela defesa de Granadeiro estão ainda Carlos Slim (magnata mexicano que foi acionista da PT e que é considerado o 5º homem mais rico do mundo), Gerald McGown (ex-embaixador dos Estados Unidos em Portugal e antigo administrador da PT) e Ricardo Knoepfelmacher (ex-administrador da Brasil Telecom) que serão ouvidos por videoconferência em data a definir, até junho.

Segundo o Ministério Público, Henrique Granadeiro terá recebido 24 milhões de euros alegadamente pagos pelo ex-presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, para beneficiar os interesses do GES em vários negócios da PT. O antigo CEO e presidente do conselho de administração da PT está acusado de 1 crime de corrupção passiva, 3 de fraude fiscal qualificada, 2 de branqueamento de capitais, 1 de peculato e outro de abuso de confiança.

Para evitar ir a julgamento, a defesa alega que as principais provas da acusação foram obtidas de forma ilegal e devem ser anuladas.

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