Mais pobres e mais desempregados. Retrato dos deficientes em Portugal

Relatório mostra que "temos muito ainda pela frente para tornar realidade os Direitos Humanos das pessoas com deficiência".

Muito mais pobres e muito mais vítimas de desemprego. Em resumo, é este o retrato do relatório "Pessoas com Deficiência em Portugal - Indicadores de Direitos Humanos 2017" do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa.

O relatório, lido pela TSF, revela, por exemplo, que o desemprego registado caiu claramente (18,8%) entre 2011 e 2016 para a população em geral, mas aumentou 26,7% na população com deficiência.

A taxa de desemprego dos deficientes em Portugal continua acima da média da União Europeia e muito acima dos números que se encontram na restante população portuguesa.

Em 2016, Portugal tinha 13.183 pessoas com deficiência registadas nos centros de emprego, mais 3 mil que seis anos antes. Pelo contrário, no total da população os números desceram.

A percentagem de trabalhadores com deficiência no total de empregados no sector privado tem subido, mas ainda é muito baixa: apenas 0,5% em 2015, número que chega a 2,3% na administração pública.

Outro dado que preocupa: a taxa de risco de pobreza é quase o dobro entre os deficientes: para quem tem entre 16 e 64 anos, 39,1% contra 25,1%.

A coordenadora do estudo adianta à TSF que um dos problemas das políticas públicas desenvolvidas para esta população é que melhoram o desemprego dos deficientes no curto prazo, através por exemplo de estágios profissionais, mas não no longo prazo.

Nos últimos 5 anos o desemprego de longa duração entre os deficientes aumentou 64%.

Paula Campos Pinto adianta que o crescimento económico dos últimos tempos nota-se nos indicadores sociais da população portuguesa em geral, mas não nos indicadores das pessoas com deficiência.

O relatório sublinha ainda que tem subido bastante o número de beneficiários da bonificação do abono de família por deficiência, "o que pode ser visto como um indicador de empobrecimento destas famílias".

Em resumo, conclui Paula Campos Pinto, o documento revela que "temos muito ainda pela frente para tornar realidade os Direitos Humanos das pessoas com deficiência".

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