Maria Campino: a mulher de armas que é primeiro-sargento

Pela primeira vez, Portugal tem duas mulheres nos elementos de combate na República Centro Africana. Maria Campino é primeiro-sargento, está em combate na República Centro Africana e contou à TSF como é ser mulher nesta profissão.

Em missão, desde fevereiro, Maria Campino, natural de Viana do Castelo é chefe de uma viatura blindada Pandur, em Bangui.

Desde muito nova, Maria começou a querer enfrentar desafios na sua vida e isso levou-a a pensar "que o exercito e as forças armadas seriam a melhor opção", conta em entrevista à TSF.

O facto de ter um irmão militar suscitou-lhe desde cedo a vontade de ingressar nas forças armadas. Acabou por lhe seguir as pisadas por se considerar "uma pessoa direcionada a superar desafios" querendo também desde cedo superar-se a si própria.

Ser mulher nesta profissão nunca foi para a primeiro-sargento um entrave à relação estabelecida com os colegas militares havendo respeito mútuo e sendo completamente aceite por eles. "Nunca senti nenhum tipo de diferenciação" garante.

Questionada sobre a experiência na cidade onde está em missão, responde sem hesitar que "o dia-a-dia é um desafio." Antes da incursão no terreno, houve preparação através de treinos, trabalho com a equipa de comandos, equipa de controlo aereotático e pessoal da manutenção que deu resposta aos problemas que iam surgindo com as viaturas", dessa forma "houve um entrosamento prévio para estarmos aqui neste momento."

A chefe de viatura Pandur blindada confessou à TSF que o momento mais marcante em missão foi na base em Bucaranga quando ao partirem deixaram "mulheres e crianças a chorar, a pedir para que nós ficássemos. Sentiam-se protegidos com a nossa presença."

Maria Campino fala com orgulho da sua profissão e elogia a forma irrepreensível "como a quick reaction force portuguesa está, de certa forma, a fazer com que a população local se sinta bem. A população é muito pobre e acho que o sentido de segurança, sobretudo nos dias de hoje, é muito importante", esclarece.

O contingente onde seguiu Maria Campino tem outras oito mulheres mas, apenas duas delas vão combater no país.

Esta é a história da mulher Primeiro-sargento que garante que ir em missão "é algo que eu sempre quis na minha vida militar... fazer algo com este prestígio."

A militar aproveitou para enviar um abraço do contingente português, a partir da República Centro Africana, ao soldado comando que perdeu as pernas durante uma operação ao serviço das Nações Unidas no país. Alui Camará ficou gravemente ferido num acidente em junho, durante uma viagem logística, quando a viatura blindada em que seguia se despistou e capotou.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados