EMEL enviou SMS em nome da Proteção Civil. Comissão de Proteção de Dados investiga

Comandante nacional da Proteção Civil nega qualquer responsabilidade.

A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) abriu um processo de averiguações sobre o envio de SMS pela empresa municipal de Lisboa EMEL a cidadãos, a alertar para os riscos da tempestade Leslie, anunciou hoje a entidade.

Em causa está o envio durante o fim de semana de uma mensagem escrita de telemóvel por parte da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL), em nome da Proteção Civil de Lisboa, com conselhos sobre o furacão Leslie, que afetou Portugal na noite de sábado e madrugada de domingo.

"Face à passagem do furacão Leslie e recente avaliação do fenómeno atmosférico estão previstos vento e chuva fortes, afetando a cidade de Lisboa. É importante que se mantenha em casa após 18:00", pode ler-se na mensagem enviada pela EMEL, recebida, em alguns casos, já ao final da manhã ou durante a tarde de domingo.

Face a esta situação, e questionada pela agência Lusa, a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) anunciou que decidiu abrir um processo de averiguações para apurar as circunstâncias do envio destes SMS por parte da EMEL.

A CNPD referiu, ainda, que recebeu três queixas sobre este assunto, mas escusou-se a tecer mais comentários até "estar na posse de toda a informação necessária para fazer uma avaliação sobre a legitimidade da atuação da empresa".

No domingo, questionado sobre estas mensagens, o comandante nacional da Proteção Civil (ANPC), Duarte Costa, negou qualquer responsabilidade, explicando que só tem "protocolo" para envio de mensagens em caso de risco de incêndio.

O responsável adiantou que o envio de mensagens ainda foi debatido, mas que se chegou à conclusão de que, sem se saber bem onde a tempestade iria passar, as mensagens poderiam ser "extemporâneas e levantar alarmismos".

A Lusa pediu esclarecimentos à EMEL, mas não obteve resposta até ao momento.

A passagem do furacão Leslie por Portugal, onde chegou como tempestade tropical, provocou 28 feridos ligeiros e 61 desalojados.

A Proteção Civil mobilizou 8.217 operacionais, que tiverem de responder a 2.495 ocorrências, sobretudo queda de árvores e de estruturas e deslizamento de terras.

O distrito mais afetado pelo Leslie foi o de Coimbra, onde a tempestade, com um "percurso muito errático", se fez sentir com maior intensidade, segundo a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Na Figueira da Foz, uma rajada de vento atingiu os cerca de 176 quilómetros por hora no sábado à noite, valor mais elevado registado em Portugal, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Entretanto, ao final da manhã de hoje, cerca de 70 mil consumidores da região Centro continuavam sem energia elétrica devido à passagem do Leslie.

Leia a mensagem enviada pela EMEL no sábado

"Aviso Proteção Civil Lisboa

Face à passagem do furacão Leslie e recente avaliação do fenómeno atmosférico estão previstos vento e chuva fortes, afectando a cidade de Lisboa. É importante que se mantenha em casa após 18h.

Os estabelecimentos na frente ribeirinha foram informados para encerrar atividades às 16:30, por questão de segurança. Solicitamos que garanta adequada fixação de estruturas, nomeadamente cadeiras, mesas e placards. Toda a zona ribeirinha requer cuidado especial, não devendo haver aí circulação nem permanência. Deve estar atento às informações da meteorologia, indicações da Proteção Civil, Forças de Segurança e às comunicações que as autoridades vão fazendo com actualização da situação.

Para qualquer informação ou pedido de socorro devem contactar o Número de emergência: 112. Esperamos contar com a sua melhor colaboração."

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