Meio milhão de donativos sob suspeita em Pedrógão

O caso é contado pela revista Visão, num artigo com o título "As casas da revolta". Os moradores estão indignados, porque parte do dinheiro para obras urgentes foi usada em casas não prioritárias, algumas que nem sequer arderam.

Há casas que nasceram onde antes havia ruínas, mas continuam vazias, outras que nunca foram de primeira habitação nem sequer foi mudado o registo. As faturas de água e luz eram uma das formas de provar, mas houve quem contornasse a lei.

Alguns exemplos são esmiuçados na revista Visão . Um dos casos é o de uma casa há vários anos inabitada por morte do proprietário onde o filho terá alterado a morada para beneficiar do apoio à reconstrução. Noutro caso, os proprietários eram os avós com o herdeiro a viver fora do concelho desde que se divorciou. Há também quem tenha uma casa reconstruída, mas com morada fiscal em França.

São sete os casos apresentados com contornos parecidos. Pelas contas da reportagem, os esquemas suspeitos representam quase 5% dos donativos.

A presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR), Ana Abrunhosa, garante à TSF que todos os procedimentos de verificação foram seguidos. "Quando uma família apresenta uma declaração das Finanças a atestar que aquela casa que ardeu é a sua morada fiscal (...) nós não temos competência para fiscalizar."

Ana Abrunhosa assegura ainda que não houve qualquer denúncia, caso contrário, teria sido investigada.

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