Mortes em acidentes de trabalho aumentam 10%. Sábado é o dia mais mortífero

Sindicatos e sociólogos atribuem aumento à maior precariedade e falta de segurança laboral. Maioria dos acidentes acontece nas indústrias transformadoras e da construção.

Depois de anos em queda, o número de mortes por acidentes de trabalhou voltou a aumentar em 2019. No último ano, esta foi a causa de morte de mais de 131 pessoas - um aumento de 10% face a 2017.

Apesar do número de acidentes graves ter diminuído de 382 (em 2017), para 337 (em 2018), registaram-se mais 12 óbitos.

A maioria dos acidentes de trabalho mortais acontecem aos sábado, com particular incidência nas indústrias transformadoras e da construção. O maior número de ocorrências aconteceu nos distritos de Lisboa (32), Porto (22) e Braga (11).

A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) e o Sindicato dos Inspetores do Trabalho (SIT) apontam o crescimento da precariedade laboral e o desinvestimento das empresas na segurança como principal explicação para o aumento do número de mortes em acidentes de trabalho, em particular ao sábado.

"Está relacionado com a precariedade. Depois de uma semana de trabalho, o grau de atenção não é o mesmo, sendo que estamos a falar de empresas de laboração continua, com trabalho muito intensivo", disse Fernando Gomes, dirigente da CGTP, em declarações ao Jornal de Notícias.

Também Carla Cardoso, presidente do SIT, concorda que o aumento de casos "está relacionado com o trabalho clandestino e precário", acrescentando outro dado: ao fim de semana não existe fiscalização e há anos que os inspetores do trabalho estão em greve ao trabalho suplementar, o que é do conhecimento das empresas.

Carla Cardoso indica que há menos de metade dos inspetores que seriam necessários em todo o país, sendo apenas 200 os profissionais que fazem inspeção no terreno.

Ouvida pelo Jornal de Notícias, a socióloga Ana Paula Marques, investigadora da Universidade do Minho, afirma que as novas formas de trabalho facilitam acidentes.

"Há um aumento do trabalho precário (...) e uma intensificação do ritmo de trabalho, com exigências para se fazer muito mais, num contexto muito grande de rotatividade de turnos", o que, explica a socióloga, "tem impacto na saúde e na qualidade de vida dos trabalhos".

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