Mulheres de Mar. Nasceram na praia e foram criadas nos barcos de pesca

A Reportagem TSF foi conhecer mulheres nascidas e criadas no mar, entre barcos e redes de pesca.

As mulheres continuam a desempenhar um papel fundamental nas comunidades piscatórias da costa portuguesa. É a elas que competem os encargos familiares, a gestão da casa e dos filhos, mas também a gestão financeira das famílias.

Quase todas elas nasceram já ligadas à pesca, casaram com pescadores, e algumas viram os filhos partir para alto mar continuando uma viagem que começou há muitas gerações atrás. Todas elas são "Mulheres de Mar".

Nasceram na praia, cresceram na areia e foram criadas nos barcos e nas redes de pesca. São mulheres casadas com o mar.

"O mar para mim é a coisa mais maravilhosa do mundo", confessa-nos a pescadeira Maria do Desterro, de olhos postos no mar. O marido de Maria do Desterro chegou de barco. Era pescador e ela toda a vida foi pescadeira na Póvoa de Varzim.

Mais abaixo na costa. Glória é a última sargaceira de Vila Chã. Tem desde 1992 permissão para embarcar e pescar no alto mar. "Tirei a cédula em 1992, agora já não vou muito. Tenho receios. Já não arrisco". Depois de partir uma perna a saltar do barco, Glória, agora com 69 anos, não arrisca tanto. Mas arriscou a vida por diversas vezes.

É do mar que ainda hoje sai o sustento das famílias que vivem da pesca por Arte Xávega, na Praia de Mira. Vida dura, a de Benilde Leigo. "Assim hoje tenho os meus ossos estoirados. Em vez de um cabaz trazia dois à cabeça para vender mais".

A mulher que vendia o peixe. A mulher que apanhava o sargaço, remendava as redes e criava os filhos.

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