Municípios da região de Setúbal contra aeroporto no Montijo

A Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) anunciou que está contra a solução do aeroporto complementar no Montijo e que vai solicitar uma reunião urgente ao primeiro-ministro.

"Perante os dados que existem, a solução de que o país precisa é um novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, cuja construção pode ser de forma faseada. O aeroporto complementar no Montijo não serve a região e não é uma alavanca de crescimento económico", disse o presidente da AMRS, Rui Garcia, que é também presidente da Câmara da Moita (CDU).

O responsável falava, esta segunda-feira, aos jornalistas numa conferência de imprensa na Câmara Municipal de Alcochete, após uma reunião da associação para discutir o tema do novo aeroporto. Dos municípios associados da AMRS, apenas o Montijo é liderado pelo PS, sendo os restantes presididos por autarcas comunistas.

Presentes na reunião estiveram representantes de quase todos os municípios associados - Alcochete, Seixal, Moita, Almada, Palmela, Barreiro, Montijo e Sesimbra -, com exceção de Setúbal, que justificou a ausência com motivos de última hora.

"Setúbal partilha desta opinião de que a solução é a instalação do aeroporto no Campo de Tiro. A Câmara do Montijo também esteve na reunião e participou na discussão, mas não marcou presença nesta conferência por não estar de acordo com a tomada de posição", afirmou Rui Garcia.

O presidente da AMRS lamentou que os municípios não tivessem sido ouvidos durante este processo, com exceção do Montijo, liderado pelo socialista Nuno Canta, e anunciou que vai ser pedida de imediato uma "reunião urgente" com o primeiro-ministro, António Costa.

"Perante os dados que são públicos, não existe fundamento para se alterar a decisão de construir no campo de tiro um novo aeroporto. É possível e é necessário para o desenvolvimento da região. Um terminal na base aérea não é alavanca para coisa nenhuma", salientou.

O presidente da Câmara de Alcochete, Luís Franco, defendeu que o único estudo válido foi efetuado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e que esse documento comprova que a melhor solução é o Campo de Tiro de Alcochete.

"De acordo com o contrato de concessão assinado entre o Governo e a concessionária dos aeroportos, existem as duas possibilidades, de construir um novo aeroporto ou a possibilidade de maximização do sistema de operacionalidade da Portela. Não compreendemos como é que o Governo, perante a possibilidade de impor à ANA a construção de um novo aeroporto, está a adotar a posição que é mais confortável para a entidade privada", disse.

O autarca de Alcochete defendeu que é importante perceber "se o Governo está a defender os interesses de Portugal", considerando que a solução do Montijo "vai esgotar-se muito rapidamente no tempo, sem qualquer possibilidade de expansão".

O Governo e a ANA - Aeroportos de Portugal assinam na quarta-feira um memorando de entendimento que visa "estudar aprofundadamente" a solução de um aeroporto complementar no Montijo para aumentar a capacidade do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.

"O acordo de entendimento é assinado depois de o aeroporto de Lisboa ter ultrapassado os 22 milhões de passageiros em 2016, um ano de recordes de tráfego em todos os aeroportos portugueses", afirma em comunicado a ANA, gerida pela VINCI Airports.

O primeiro-ministro afirmou na passada quarta-feira que uma decisão definitiva sobre a localização do futuro aeroporto no Montijo está condicionada à conclusão de um relatório sobre o impacto da migração de aves naquela zona, nomeadamente para a segurança migratória.

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