Não precisa ver, ele fotografa com o coração

É cego, mas isso não o impede de tirar boas fotografias. E está a prová-lo nos Paralímpicos do Rio de Janeiro.

Chama-se João Maia. Tem 41 anos. Foi carteiro, mas hoje vive de uma pensão de invalidez. Há mais de uma década diagnosticaram-lhe uma inflamação da úvea, a túnica intermédia dos olhos.

Não tardou a que o mundo ficasse escuro, ainda que, muito de perto, ainda consiga vislumbrar algumas cores e formas.

Mudou de vida, mudou a vida. Aprendeu Braille, mas, sobretudo, conta o enviado da France-Presse ao Jogos do Rio, dedicou-se à fotografia.

"A fotografia é sensibilidade. Acho maravilhoso poder, através dela, mostra o mundo como o "vejo", como o sinto. Não preciso de ver para fotografar, tenho os olhos do coração".

Antes dos Paralímpicos 2016, João já havia feito a cobertura de algumas provas de atletismo. Só que essas tinham para ele uma enorme vantagem: o público era pouco, não havia quase barulho, e isso permitia-lhe seguir os atletas "de ouvido".

Agora, no bulício dos Jogos, diz que o desafio é maior: "Entre o ruído do público e a distância a que fico, não é fácil".

Mas, tudo se resolve. Tem como "assistente" um telemóvel de última geração que o avisa quando a luz é perfeita e a fotografia vai ficar límpida.

Captadas as imagens, depois o resto fica por conta de dois companheiros do projeto "Superação-2016".

"São eles que me ajudam na edição das fotografias e que as publicam nas redes sociais. Eles são os meus olhos".

Ainda de dedo pronto para continuar a fotografar os Jogos do Rio, João Maia já tem outros planos. Diz que vai aprender inglês para cobrir os Paralímpicos de Tóquio, daqui a quatro anos.

"Havemos de lá estar, pelo menos em sonhos".

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