"Nunca me lembro de alguém dizer que ele tinha caído da cadeira"

Faz esta sexta-feira, dia 3 de agosto, 50 anos que Salazar caiu da cadeira no Forte do Estoril, onde estava em férias. A queda nunca foi muito bem explicada. A TSF ouviu as memórias da última criada de Salazar.

Rosália Araújo foi a última criada contratada por Salazar e uma das que estava no forte do Estoril nessa noite fatídica. Afirma que só ouviu a história da cadeira muito mais tarde. Foi empregada do ditador dos 14 aos 19 anos.

Hoje vive e trabalha numa padaria em Favaios. É ali, atrás da igreja, que encontramos Rosália Araújo a tirar o pão do forno. Tem 66 anos. Nasceu em Abaças, Vila Real. Aos três anos foi para aquela localidade do concelho de Alijó onde estudou e trabalhava, já na altura, com os pais a fazer pão.

"A minha mãe viu que era um trabalho muito esforçado e pediu a uma nora que tinha em Lisboa se me arranjava qualquer coisa para eu ir para lá". E arranjou! Com 13 anos rumou à capital e foi parar à residência mais famosa do país. Não se deu bem.

"Quando entrei naquela casa com aquelas paredes tão altas não me dei bem. Eu estava habituada à liberdade e vim-me embora", diz a padeira, que na altura tinha 13 anos. Um ano depois estava de volta à casa do ditador. Era a mais nova de oito empregadas. "Fazíamos tudo, limpávamos o pó, arrumávamos os livros. Tinha que estar tudo pronto até à hora de almoço. Começavam depois a vir as visitas e nunca mais parava", conta com saudade.

Rosália Araújo diz que a governanta Maria era muito dura com elas mas António Salazar era bom. "Uma pessoa muito simples, muito humana e muito amigo da gente. Preocupava-se connosco", salienta.

Também elas ficaram preocupadas naquela noite, há 50 anos no forte do Estoril onde o estava a passar férias. "Quando o vimos entrar na ambulância, na maca, foi um choque".

Rosália já com 17 anos na altura não se lembra de ninguém ter falado em nenhuma queda. "Depois, mais tarde, é que ouvi essa versão porque eu nunca me lembro de alguém dizer que ele tinha caído da cadeira. As cadeiras que havia lá no corredor eram cadeiras de verga, assim como as mesas. Cadeiras dum lado, cadeiras do outro".

Onde o presidente do governo nunca se sentava, segundo a criada mais nova de Salazar, que passados dois anos do incidente, assistiu ao último suspiro no quarto de Salazar. O ditador sorriu até ao fim com as histórias (muitas sobre o que se passava na aldeia dela) que a "pequena" (como ele sempre a tratou) lhe contava.

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