"O casamento homossexual trouxe oportunidades de negócio para Portugal"

No dia em que a Variações - Associação de Comércio e Turismo LGBTI de Portugal assinala o primeiro aniversário, o diretor Diogo Vieira da Silva lembra que o turismo LGBTI é mais lucrativo que o convencional e defende que o país tem tudo para crescer neste setor.

Ainda há um longo caminho a percorrer, mas o diretor executivo da Variações - Associação de Comércio e Turismo LGBTI de Portugal considera que Portugal é cada vez mais um destino turístico LGBTI (Lésbica, Gay, Bissexual, Transexual e Intersexual). A associação foi criada há um ano e junta empresário e empresas que pretendem promover o setor do turismo e do comércio para a comunidade LGBTI.

Diogo Vieira da Silva revela que, neste primeiro ano, foram muitos os empresários e empresas que se juntaram, não só dentro dos centros urbanos. Atualmente, a Variações tem já mais de 50 empresas associadas.

A organização da Eurovisão, "um dos eventos que atrai mais população LGBTI", foi um marco importante para o país, que cada vez mais se afirma como um destino turístico LGBTI. "Há dois fatores importantes: primeiro, uma questão de Direitos Humanos, o posicionamento de Portugal enquanto destino tolerante, que legalmente e a nível social recebe bem os outros e a diferença dos outros (que ainda não é conhecido lá fora); e, depois, temos a segunda vertente, que também é muito importante, que é uma vertente económica e de faturação".

Diogo lembra que as Nações Unidas referem num relatório que o turismo LGBTI é 25% mais lucrativo do que o convencional. "São viajantes que gastam mais, procuram mais cultura, mais conceitos de qualidade... e é exatamente esta a estratégia que Portugal quer seguir".

Promover Portugal como um destino turístico LGBTI é, aliás, um objetivo que faz parte da estratégia de turismo para a década criada pelo governo em setembro de 2017.

O diretor da Variações revela que, em breve, vai ser lançada a primeira campanha internacional para promover o país junto das comunidades LGBTI no estrangeiro. "Proudly Portugal" (em português, "Orgulhosamente Portugal") é o nome da campanha.

Diogo Vieira da Silva considera que as alterações na lei portuguesa no campo dos Direitos Humanos, permitindo, por exemplo, o casamento homossexual, vieram afirmar Portugal no estrangeiro como um país tolerante e trouxeram também oportunidades de negócio.

"Um exemplo, que ainda não é muito explorado, são os casamentos LGBTI de pessoas estrangeiras. Portugal é um dos poucos países na Europa que aceita o casamento de não-nacionais e reconhece esse casamento no seu enquadramento legal. Há muitos casais italianos e israelitas que veem a Portugal contrair matrimónio porque o estado português reconhece". Em Espanha, por exemplo, um dos cônjuges tem de ter nacionalidade ou cidadania espanhola. "Está a surgir um novo mercado em Portugal, do matrimónio LGBTI".

O EuroPride, o maior evento LGBTI da Europa, pode ser um contributo importante. Na próxima sexta-feira, dia 18, Portugal vai avançar com a candidatura para receber o evento em 2022.

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