"O Papa quer é que o mundo se ajoelhe e beije as mãos dos pobres de Moçambique"

Francisco rejeitou que os crentes lhe beijassem o anel. Em entrevista à TSF, o bispo emérito das Forças Armadas e Segurança, Januário Torgal Ferreira, diz acreditar que o representante do Vaticano quer quebrar hábitos de veneração.

O Papa visitou o santuário de Loreto, mas um protagonista inesperado roubou os olhares dos presentes. O "anel do pescador", para muitos símbolo de sucessão na Igreja Católica, foi o centro das atenções apesar de ter sido desviado dos beijos dos crentes.

Para o bispo emérito das Forças Armadas e Segurança, esta "é uma atitude de simplicidade. Ele respeita a estima, o carinho e a ternura dos crentes. Não quer ser menos cortês, nem menos educado, não quer chocar as pessoas. O Papa é sempre educado". Januário Torgal Ferreira responde assim às críticas do site LifeSiteNews , assumidamente católico e conservador, que classificou o episódio como "perturbador".

A postura do líder católico sempre foi de distanciamento em relação às práticas habituais de reverência e submissão da Igreja, assegurou Alessandro Gisotti, porta-voz do Vaticano, ao El Confidencial. O bispo português concorda. "O Papa Francisco também não quer que o mundo da Igreja seja sempre tratado com vénias, nem com subjugações de uma corte mundana. O Papa dispensa atitudes corteses, não tanto por ele, mas, sobretudo, pela Igreja que ele representa", garante, em declarações à TSF.

"Quem se choca é quem traz o rei na cabeça e na barriga. A Igreja deve ser um exemplo de humanidade e de família. O Papa quer ser uma pessoa amada e próxima. Não quer ser o rei, nem quer estar num trono", refletiu o antigo chefe de gabinete de António Ferreira Gomes, histórico bispo do Porto, combatente do salazarismo que Januário visitou no exílio.

O anel não é, para Januário Torgal Ferreira, a joia da coroa, mas uma peça "humilde e modesta", símbolo dos valores herdados e transmitidos por um pescador, e de uma aliança com valores de solidariedade. "A profundidade do significado é o que interessa. Assim como a aliança significa, em alguém casado, que duas pessoas são aliadas, também o anel de Pedro simboliza a total comunhão e fusão do Papa com a Igreja", fundamenta.

Quebrar distâncias entre os poderosos e os carenciados deve ser, para o bispo, o maior objetivo da Igreja Católica."O Papa quer é que o mundo se ajoelhe e beije as mãos dos pobres, não da forma literal, mas tentando ajudar e sendo solidário, como com Moçambique, neste momento em que tanto precisa", finaliza Torgal Ferreira.

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