Omar fugiu da Síria e já trabalha em Guimarães

Omar Hazaa, 21 anos, refugiado da Síria, chegou a Portugal em fevereiro passado e foi acolhido em Guimarães, onde vive com o pai e um irmão e outras duas famílias.

"É uma cidade pequena, com um custo de vida barato e as pessoas são realmente simpáticas e encantadoras", elogia.

No mês passado começou a trabalhar num restaurante de uma cadeia norte americana de fast food. "Tudo é novo para mim e todos os dias há coisas novas para aprender. E é muito bom ter o meu próprio dinheiro. Não gosto de pedir nada a ninguém e neste momento posso comprar as minhas coisas e viver a minha vida", contou Omar à TSF no arranque de mais um turno.

A adaptação de Omar Hazaa ao novo posto de trabalho não conheceu grandes dificuldades. "Os eventuais problemas com a língua foram rapidamente ultrapassados porque ele falava inglês e os nossos colaboradores já estão habituados a relacionar-se com estrangeiros, nomeadamente muitos estudantes ao abrigo do Erasmus", afirmou Alberto Matos, o empresário que lheu trabalho. Aquele responsável sublinhou ainda a importância da responsabilidade social das empresas, apelando a uma maior sensibilização. "Devemos retribuir à comunidade aquilo que ela nos dá e todos os empresários deviam partilhar dessa forma de estar e mostrar-se sensível a esta questão [dos refugiados]", acrescentou.

Ao abrigo do programa municipal "Guimarães Acolhe", este grupo de refugiados onde Omar Hazaa está inserido começou a aprender português logo nas primeiras semanas após o acolhimento na cidade. "O me dá mais prazer é constatar que ao fim de quatro meses, apesar de ainda não conseguir ter uma conversa completa com eles em português, já entendem bem a língua. O Omar já percebe bem as conversas mas ainda tem falta de vocabulário, o que é perfeitamente normal", adianta Fernando Teixeira, o professor que faz parte de um grupo de voluntários que ensinam português aos refugiados que aqui chegam.

Liliana Costa falou com Omar, refugiado Sírio

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Antes de fugir da revolução na Síria, Omar era estudante de Engenharia Mecânica. A guerra tirou-lhe a casa mas não a ambição: "Gostava de voltar à universidade e estudar outras coisas, talvez nas áreas de Gestão ou Comunicação", confessou.

Omar Hazaa viajou da Síria para a Turquia de autocarro e atravessou de barco para a Grécia, de onde partiu de avião para Lisboa ao abrigou do Programa de Recolocação de Refugiados da União Europeia. Atualmente vive numa pensão na Rua da Trinas, em Guimarães, com o pai e um irmão e aguarda ansiosamente pela a chegada da mãe e de outros dois irmãos que estão na Turquia à espera de autorização seguir viagem. "Não os vejo há mais de um ano e tenho muitas saudades deles. Especialmente da minha mãe, sinto muito a falta dela", lamenta.

Guimarães foi das primeiras comunidades do país a disponibilizar-se e a mobilizar-se para acolher refugiados, tendo constituído um consorcio com cerca de 22 entidades que colaboram nas mais diversas áreas, nomeadamente no que se refere a alojamento, serviços de saúde, educação, apoio social, apoio jurídico, processo de legalização, ensino da língua, oferta de emprego, atividades culturais e recreativas.

"O acolhimento de refugiados é um grande desafio que exige respostas e que no nosso caso estão a correr bem, com a colaboração deste consórcio de entidades que contribui para uma integração efetiva destas pessoas. Satisfazer as necessidades básicas é importante mas a alimentação e o alojamento, sendo primordiais, não bastam", referiu Paula Oliveira, vereadora da Câmara Municipal de Guimarães.

O plano "Guimarães Acolhe" está preparado para receber 45 refugiados mas até ao momento recebeu um grupo de 17 pessoas, entre elas duas crianças que já frequentam um jardim de infância de uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) local.

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