Os rostos dos despejos. "Mandaram-me uma carta a dizer que o contrato acabava"

É o título de documentário realizado pela Junta de Freguesia de Santa Maria Maior,que alerta para as consequências da pressão dos alojamentos locais e da lei das rendas nos centros históricos. Após ter perdido quatro mil habitantes nos últimos anos, o autarca decidiu mostrar a cara de quem perdeu a casa de uma vida.

Mandaram-me uma carta a dizer que o contrato acabava e que eu tinha que entregar a casa. É muito triste, é uma vida e se eu tiver que sair não sei se aguentarei", Alzira Paixão é um dos "rostos dos despejos". Faz parte do grupo de moradores na freguesia de Santa Maria Maior, que decidiram dar a cara para alertar para o problema da desertificação das zonas históricas.

A iniciativa partiu, há um ano, do presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior. Miguel Coelho diz que a pressão dos alojamentos locais era inaceitável.

"Muitos vivam nas casas há 30 ou 40 anos, como o caso de uma senhora de 82 anos que nasceu na casa onde vivia e teve que sair".

O documentário "Os rostos dos despejos" reúne testemunhos de moradores, um ano depois Miguel Coelho diz que a situação melhorou.

"Um ano depois temos nova legislação, protege os inquilinos com mais de 65 anos e que vivam na habitação há mais de 15 anos. O país percebeu que este era um problema de pessoas de carne e osso".

No entanto, defende que ainda há muito a fazer. "Falta proteger as famílias com crianças e falta fiscalização ao alojamento local".

Para zelar pela aplicação da lei do alojamento local, a junta de freguesia de Santa Maria Maior, que reúne as zonas do Centro Histórico de Lisboa, decidiu criar uma linha telefónica.

"Para permitir às pessoas que nos comuniquem onde estão a abrir alojamentos locais para podermos verificar. Se não estiverem dentro da lei comunicaremos à ASAE, à Câmara municipal e às entidades competentes".

Nos últimos anos a freguesia de Santa Maria Maior perdeu 4 mil habitantes, moradores que perderam parte da sua história. "Alfama está morta, eu cresci aqui a ouvir as pessoas, estivadores, vendedeiras... agora não se ouve nada", conta Natália Correia no documentário "Os rostos dos despejos - um ano depois".

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