PIDE criada há 70 anos

22 de outubro de 2015. Faz hoje 70 anos que nasceu a Polícia Internacional e de Defesa do Estado. A 22 de outubro de 1945 o Decreto-Lei n.º 35 046 dava "corpo" à PIDE, que foi braço direito do regime e responsável por várias detenções.

Um odor estranho despertou a atenção de Jorge Carvalho, a 24 de abril de 1974. "Perguntei o que se passava. Disseram-me que era uma queimada". No dia seguinte a agitação era mais evidente. "Continuavam portas e abrir e fechar. Os guardas prisionais andavam de lado para lado...". A noite de 25 de Abril foi alucinante. "Fumei um volume de tabaco. A meio da noite acordei ao ouvir um barulho. 'Morte à PIDE e a quem a apoiar'. Pensei que estava louco. Não pode ser..."

Sónia Santos Silva fala com antigo preso político

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O relato é de Jorge Carvalho, que tinha, na época, tinha vinte e poucos anos. Foi detido, pela primeira vez, pela PIDE em 1971. A 2 de Abril de 74 foi preso pela última vez e foi o último a ser libertado após a queda do regime.

Nas mãos da PIDE, no Porto, foi isolado e torturado. A tortura da estátua(ficar de pé, sem poder fazer qualquer tipo de movimento, durante vários dias) foi a mais de difícil de sobreviver. "Foi muito difícil", confessa.

Uma vez, quando a tortura já ía no terceiro ou quarto dia, Jorge Carvalho teve sorte. "Brilhantina", o pior agente da PIDE com quem se cruzou estava ausente. "Olho para trás e vejo um PIDE, novo ainda, a escorrer água completamente. Eu pedi para ir ao quarto de banho. Ele deixou-me ir e aí deu para descansar".

A liberdade foi festejada na rua e Jorge Carvalho continua a festejá-la, porque deve-lhe a felicidade, diz. Lamenta, apenas que o passado não tenha, agora, espaço no lugar onde esteve detido, e onde funciona actualemente o Museu Militar do Porto.

"Se há uma maquete sobre o 31 de Janeiro feita por militares , por que é que não tem nada alusivo ao 25 de Abril? E quem passa cá fora lê que ali é o Museu Militar... Não diz que foi uma prisão política".

As memórias com mais de 40 anos permanecem presentes, tal como o ideal de vida que Jorge Carvalho mantém. "Vamos continuar a lutar, porque viver é lutar e a vida é combate".

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