Planos contra cheias prevêem relocalização de serviços e alertas em zonas de risco

Agência Portuguesa do Ambiente divulga dentro de duas semanas 22 planos de gestão de riscos em zonas consideradas críticas pelo histórico de consequências das inundações.

A Agência Portuguesa do Ambiente espera colocar em consulta pública, dentro de duas semanas, 22 planos de gestão de riscos de cheias em 22 zonas do Continente consideradas críticas, ou seja, com maior risco de inundação. A lista destes locais foi divulgada no início do ano e os planos para diminuir os riscos foram feitos nos últimos meses, mas não incluem a zona de Albufeira afetada pela chuva de domingo.

O jornalista Nuno Guedes falou com a especialista Cláudia Brandão sobre os planos contra cheias que estão a ser preparados

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A Chefe de Divisão do Estado das Disponibilidades Hídricas da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Cláudia Brandão, explica à TSF que Albufeira não foi contemplada porque nunca tinha sido afetada de forma considerada crítica pelas cheias (nunca houve perda de vidas ou pelo menos 15 desalojamentos).

A especialista acrescenta, aliás, que a chuva que caiu no Algarve no domingo nem foi um recorde histórico e que estas inundações estiveram relacionadas com a construção em excesso na área afetada que tem os solos "demasiado impermeabilizados".

A elaboração dos planos de gestão dos riscos de inundações para zonas críticas é uma obrigação europeia imposta por uma diretiva de 2007. Os planos que entrarão em consulta pública nas próximas duas semanas prevêem relocalizações de serviços como bombas de gasolina, escolas e certas indústrias mais perigosas para o ambiente. As medidas previstas devem ser implementadas nos próximos cinco anos.

Cláudia Brandão explica que a ideia é tentar reduzir ao mínimo a ocupação nestas áreas, sobretudo com serviços sensíveis, mas admite que em muitos casos isso não será viável, pelo que a segunda aposta será na informação e criação de sistemas de alerta às populações. Ou seja, a responsável explica que conhecendo o perfil geográfico da zona de risco serão feitos modelos que conjugados com a previsão de chuva servirão para saber que certa estrutura pode ser afetada, emitindo alertas a quem vive nas áreas críticas de cheia.

As 22 zonas identificadas no Continente como tendo uma alta probabilidade de inundação são Ponte de Lima/Ponte da Barca, Esposende, Régua, Porto/Vila Nova de Gaia, Chaves, Coimbra, Estuário do Rio Mondego, Águeda, Ria de Aveiro, Pombal, Abrantes/Santarém/Vila Franca de Xira, Loures/Odivelas, Torres Vedras, Tomar, Setúbal, Alcácer do Sal, Santiago do Cacém/freguesia de Alvalade, Aljezur, Tavira, Monchique, Faro e Silves.

Nas regiões autónomas os planos estão a ser feitos pelos governos regionais, tendo sido identificadas cinco zonas críticas nos Açores e 27 na Madeira.

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