"Políticas de austeridade contribuíram para forte agravamento da precariedade em Portugal"

A Fundação Francisco Manuel dos Santos está a atualizar o estudo sobre desigualdade económica em Portugal que apresentou em 2012. O resultado incluirá as consequências da crise e do período de ajustamento. A atualização não está ainda terminada mas já é possível antecipar algumas conclusões.

O coordenador do estudo sobre desigualdade que está agora a ser atualizado, Farinha Rodrigues diz que há um resultado evidente das políticas de austeridade; " O balanço global deste período das políticas de austeridade é inequívoco. Contribuíram para um forte agravamento da precariedade em Portugal".

Durante a crise económica e no período em que a troika esteve em Portugal todos os rendimentos foram afetados. Mas o professor do ISEG recorre a números já conhecidos para demonstrar que os mais pobres sofreram mais e por isso a desigualdade agravou-se: "Entre 2009 e 2013 os rendimentos das famílias desceram à volta de 7%. Os rendimentos dos 10% mais ricos desceram 8%. Os rendimentos dos 10% mais pobres desceram 25%".

O resultado da recuperação económica nos bolsos dos mais pobres só será conhecido quando for divulgada taxa de pobreza em 2014, mas Farinha Rodrigues diz que há um indicador indireto que demonstra a inexistência de qualquer melhoria; "tudo o que nos chega das instituições de solidariedade social que trabalham com as famílias mais desprotegidas demonstra que a situação de forte agravamento continua. Ou seja, as instituições que trabalham no terreno não notam que essa frágil melhoria já se traduza no rendimento e nas condições de vida das pessoas".

Em 2013 a taxa de pobreza em Portugal era de 19,5%. Os números do ano passado ainda não foram apurados.

Este sábado assinala-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

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