Portugal "vai deixar de ser refém" do mercado de medicamentos

O Laboratório Militar vai passar a produzir medicamentos. São anti-inflamatórios, remédios para a tuberculose e pediatria, que não são produzidos pela indústria farmacêutica.

Com um investimento que ronda os 15 milhões de euros, Portugal deverá passar de país importador a exportador de medicamentos em falta no mercado nacional, que, por serem pouco lucrativos, a indústria farmacêutica não produz. Três meses depois de ter sido criado o grupo de trabalho que juntou os ministérios da Saúde e da Defesa, a questão do plasma e da produção de medicamentos derivados do plasma continua em aberto, mas já ficou decidido que o Laboratório Militar vai começar a produzir fármacos para o Serviço Nacional de Saúde.

No máximo até 2019 o Laboratório Militar ganhará novos equipamentos, mais pessoal qualificado e obterá a licença de produção de medicamentos, que é válida em todos os países da União Europeia. Paulo Cruz, um elemento desta estrutura do Exército, integrou o grupo de trabalho criado pelos ministérios da Saúde e da Defesa, e dá exemplos de fármacos que Portugal atualmente importa e vai passar a produzir.

" Essencialmente são medicamentos anti-inflamatórios, para a tuberculose, para pediatria... Mas mais importante do que esta lista inicial é o Estado passar a ter capacidade de produzir medicamentos e deixar de ser refém do mercado".

Abre-se uma nova oportunidade de mercado, Portugal pode passar de país importador a exportador. O investimento ronda os 15 milhões de euros e o impacto é enorme, a começar pela descida dos preços, diz Paulo Cruz.

"Estes medicamentos não têm um preço fixo, a entidade produtora vende ao preço que entender e de acordo com uma estimativa que fizemos acreditamos numa redução de custos à volta dos 50%, mas pode ser muito mais do que isso".

Quanto à questão do plasma, ainda não está definido se o laboratório militar vai poder fazer o tratamento industrial do plasma com vista à produção de medicamentos. O grupo de trabalho criado em fevereiro ainda está a avaliar as infraestruturas, capacidades técnicas e rentabilidade, também está a avaliar estudos comparativos sobre práticas noutros países.

A farmacêutica Octapharma detinha o monopólio do fornecimento de sangue e plasma nos hospitais portugueses. No final do ano passado o ex-administrador desta empresa foi detido por alegada corrupção, assim como o antigo presidente do INEM e da ARS Lisboa e Vale do Tejo, Luís Cunha Ribeiro, que presidiu ao júri do concurso que deu o monopólio do fornecimento do plasma à Ochtopharma.

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