Risco de derrocada era "do senso comum". Autarca de Vila Viçosa pede fiscalização na região

Manuel Condenado revela que soube de reuniões nas quais se falava da possível interdição da estrada que ligava Borba a Vila Viçosa.

O presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa garante que nunca teve dados concretos que apontassem para uma situação de perigo junto às pedreiras situadas na estrada entre a vila e Borba. Em declarações à TSF, Manuel Condenado admite, ainda assim, que era de prever que acontecesse um acidente deste tipo.

"É uma situação do senso comum. Se a exploração está a escassos metros da estrada, é evidente que há algum risco de derrocada. Um buraco destes nunca deveria estar tão próximo da estrada", considera o autarca, garantindo que esta é uma situação afeta a toda a zona e não apenas à autarquia de Vila Viçosa.

"A situação é observada ali e na generalidade da zona dos mármores. Não é às câmaras que compete essa fiscalização", entende Manuel Condenado, acrescentando que a fiscalização compete "a quem licencia e fiscaliza".

Para "estar a explorar e a abrir buracos a escassos metros da estrada, é evidente que se corre riscos", entende o presidente do município.

À TSF, o autarca relembra que "há alguns anos", houve reuniões na Câmara Municipal de Borba acerca da instabilidade do local onde ocorreu o aluimento de terras, mas garante que nunca participou em nenhuma.

"Falava-se na hipótese de interditar a estrada", confirma o presidente da Câmara de Vila Viçosa, adiantando que se tal acontecesse, "seria no município de Borba e não no município de Vila Viçosa."

O autarca garante que "nunca participou nem foi convocado" para estas reuniões, tendo conhecido o seu teor de forma "oficiosa, como munícipe".

Manuel Condenado lamenta que só agora, depois do acidente, "toda a gente" fale em realizar fiscalizações, mas admite que a mesma é necessária. "Para evitar situações futuras idênticas, penso que seria importante uma fiscalização a todas as pedreiras, desativadas ou não, aqui da zona dos mármores".

"É provável", diz o autarca, que existam situações "muito parecidas" com aquela em que estava a pedreira na qual ocorreu a derrocada. Só no distrito de Évora há 104 pedreiras abandonadas.

- Leia aqui tudo sobre a tragédia em Borba

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