"As crianças não nos dizem que estão ansiosas, elas mostram-nos isso"

A ansiedade é um problema cada vez mais comum nas crianças. O que é que os pais podem fazer para diminuir os níveis de ansiedade do filhos? A psicóloga clínica Catarina Lucas responde.

Antes de qualquer intervenção é preciso conhecer os sinais. "As crianças não nos dizem que estão ansiosas, elas mostram-nos isso através do comportamento", afirma a psicóloga Catarina Lucas.

"Algumas verbalizações, como o 'estou com medo', ou 'não sei se vou conseguir' traduzem de fato alguma ansiedade", adianta a psicóloga clínica que explica é sobretudo através da parte comportamental que a ansiedade se manifesta na infância, "as birras, o não conseguir dormir, o fazer chichi na cama, as dores de barriga, as dores de cabeça".

A fase do crescimento é propícia a medos, as crianças estão constantemente a ser confrontadas com coisas novas e isso pode gerar ansiedade, mas a vida acelerada e o stress dos pais são "fatores de risco". Catarina Lucas acredita que pais ansiosos geram filhos ansiosos.

Calcula-se que 2 a 5% das crianças sofra de algum tipo de ansiedade patológica e, nesses casos, é necessária uma intervenção profissional. "Nós aqui recomendaríamos, numa fase inicial, uma terapia cognitivo comportamental e, em casos mais graves, poderá haver necessidade de recurso a medicação, mas isto quando outras coisas já falharam."

"Mas na ansiedade do dia-a-dia há muitas coisas que os pais podem fazer", assegura Catarina Lucas. Securitizar a criança, ajudar a criança a pensar as coisas, conversar com ela e confrontá-la com o seu próprio medo, ajudar a criança a relaxar, são algumas das estratégias apontadas pela psicóloga clínica que sublinha que no caso de pais ansiosos o trabalho deve começar a montante.

"Os filhos são sintoma dos pais e às vezes, nós técnicos, percebemos que devíamos estar a trabalhar com os pais e não com as crianças, mas os pais nem sempre estão disponíveis para isso."

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