Esta startup tem psicólogos online para combater os males do século XXI

A startup Zenklub foi criada em 2016 por dois portugueses para consultas de psicologia online mas o grande objetivo é desmistificar a saúde mental e torná-la acessível a todos.

Ramon Canales começou a percorrer os corredores da Casa do Impacto em Lisboa há cerca de cinco meses. É lá que está instalado o escritório da Zenklub em Portugal, uma startup que quer tratar do bem-estar emocional e da saúde mental através de uma plataforma online.

"Começou como uma plataforma de teleconsultas para psicólogos, ou seja, para psicólogos poderem fazer as consultas com seus clientes de uma forma online", explica Ramon Canales.

O objetivo inicial deu frutos e foi evoluindo para novas ambições. "Como é que a gente ajuda a saúde emocional em geral da população?", conta o diretor de produto da Zenklub.

Hoje, a plataforma pretende não só ligar psicólogos e outros profissionais da área da saúde mental a quem procura acompanhamento, como também "fornecer uma solução para as pessoas trabalharem a sua saúde emocional, ter uma vida mais equilibrada e, no fim, ter uma vida mais feliz".

O diretor de produto da startup sublinha que procurar um profissional de saúde mental da forma tradicional pode ter custos elevados, para não falar das despesas adicionais: "custos de deslocamento, mais o tempo da pessoa estar no meio do seu dia, ter de parar e ir até algum lugar. Fornecer esse tipo de tratamento, esse tipo de terapia de uma forma online é muito mais barato".

Além do preço, a Zenklub quer facilitar o processo de acesso a consultas de bem estar emocional e desconstruir estigmas associados às doenças mentais. "Eu descobri que muitas pessoas tinham preconceito ou tinham vergonha inclusive de ir com um profissional e, quando isso é feito via vídeo, de uma forma distante, eles se sentem muito mais abertas. Tem algumas pessoas que utilizam o chat dentro da plataforma porque têm vergonha de falar".

Do Brasil para Portugal

A Zenklub chegou a Portugal há pouco tempo mas no Brasil já percorreu um bom caminho, "principalmente nos últimos seis meses que foi quando achamos o modelo da empresa", revela Canales. Hoje, a plataforma conta com mais de 200 profissionais e cinco mil sessões por mês. "Mais de 95% das sessões e dos utilizadores estão no Brasil. Não necessariamente estão no Brasil mas são brasileiros", conta.

Em Portugal, começaram com uma pequena operação para testar o hub de Lisboa e, por isso, ainda estão a dar os primeiros passos. "Algo em torno de 20 profissionais cadastrados e 20 a 30 consultas por mês. Mas é algo que não começamos a colocar força efetivamente ainda."

A Casa do Impacto, a incubadora de startups da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, recebeu-os em Lisboa para poderem "expandir mercado, expandir talento".

A startup surgiu em 2016 pela mão de dois portugueses, o médico Rui Brandão e o engenheiro informático José Simões. Conheceram-se no Brasil e foi lá que decidiram criar a Zenklub. "O Rui teve um caso na família de um burnout, de alguém que chegou no limite da saúde mental e era algo que ele queria resolver".

Desconstruir o estigma

Recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu, pela primeira vez, o burnout - síndrome do esgotamento profissional - na Classificação Internacional de Doenças. Além disso, a OMS considera que a ansiedade e a depressão são as epidemias de saúde do século XXI. Ramon Canales explica que a plataforma quer responder a isso mas também a distúrbios de uma rotina cada vez mais corrida. "Ansiedade, fadiga, conflitos familiares, problemas sexuais, problemas de aceitação sexual, briga com o parceiro, progressão de carreira, burnout", enuncia o diretor de produto.

A Zenklub quer desmistificar a saúde mental e permitir que cada vez mais pessoas possam cuidar da mente, tal como cuidam do corpo. "Ninguém tem vergonha de falar que vai no ginásio trabalhar o corpo. Ninguém tem vergonha de falar que quer ter uma alimentação mais saudável. Mas se eu disser que preciso de uma terapia ou que eu estou cuidando da minha saúde mental, vão achar que eu sou louco. E não é isso", conta Canales.

Ramon Canales admite que também tiveram alguma resistência do lado dos profissionais, sobretudo no início, mas como a plataforma tem crescido, a trajetória inverteu-se. "Temos 200 hoje realizando sessões mas tem uma fila de três mil que a gente tem que dar vazão. Quando o profissional se cadastra a gente faz toda uma análise curricular, conversa com ele, ajuda a configurar o sistema para garantir que a gente tem profissionais de qualidade lá dentro."

Com a garantia de privacidade, já que os dados são encriptados, a Zenklub quer que qualquer pessoa possa marcar uma vídeo-consulta, resolver um problema emocional ou simplesmente conhecer-se melhor. "A maioria das pessoas não se conhece muito bem. Eu nunca tive facilidade para expressar sentimentos. Só que, no fundo, eu nunca parei para pensar sobre eles. Desde que eu entrei, eu tenho trabalhado isso, feito sessões, lido conteúdos e tem-me ajudado muito a me entender um pouco melhor. E é esse o grande objetivo: fazer as pessoas se conhecer."

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados