Falta de resposta familiar obriga Hospital de São João a reter mais de 20 idosos por dia

O alerta é deixado pelo administrador do hospital, em entrevista à TSF, que admite já ter tomado decisões "de legalidade duvidosa", suportando a despesa de lares privados.

O presidente do Conselho de Administração do Hospital São João, no Porto, não esconde a preocupação com um problema que considera "grave". "Todos os dias temos à volta de 20 doentes a quem não conseguimos dar alta, embora estejam em situação de alta clínica", garante, explicando que estes doentes ou "não têm família" ou "não há condições sociais".

Para além da problema social, António Oliveira e Silva lembra que há a questão dos custos associados ao hospital: "Fica muito mais caro ter um doente no hospital do que tê-lo num lar. Já tomámos decisões muitas vezes - se calhar de legalidade duvidosa - de ser o hospital a suportar as despesas de um lar privado e colocamos lá as pessoas".

Nos lares, estes idosos "correm menos risco de infeções hospitalares", faz notar o administrador, que também é médico e que alerta para o facto de existirem "poucas plataformas entre a Saúde e a Segurança Social".

Assim, por dia, o hospital tem uma média de 20 idosos em condições de terem alta, mas a quem falta uma retaguarda familiar. É uma situação que vai para além da pobreza. "Muitas vezes são pessoas que têm pouca família. Há muita gente que vive sozinha", frisa.

Em Portugal, segundo o Censos Sénior da GNR, realizado em 2017, há mais de 45 mil idosos que vivem sozinhos.

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